Hoje quero abordar um assunto muito preocupante que é a falta de atividades para as crianças. O fato é que as crianças atuais vivenciam e praticam menos atividades que as de anos atrás, não estou falando em frequentar alguma escola esportiva ou academia, mas sim em brincar, jogar, brincarem e aproveitar os espaços disponíveis para se movimentarem.

Pesquisas atuais, onde as crianças passaram por uma avaliação física, comprovam que atualmente elas têm resultados inferiores nos mesmos testes que resultados anteriores com a mesma faixa etária.

Sabemos que hoje não temos a mesma segurança para deixar nossos filhos brincarem livres na rua, os espaços disponíveis são bem menores e existem ainda muitas outras coisas que disputam a atenção delas com as brincadeiras (celulares, tv,...).

Mas o que isso resulta no futuro das crianças? Hoje estamos vendo jovens com grandes limitações de coordenação, antigamente a maioria das crianças sabiam rolar, dar estrelinhas, cambalhotas, equilibrar-se. Atualmente temos crianças e jovens que não conseguem correr. Estou falando de uma função básica do corpo humano, ter coordenação nos braços e pernas para se deslocar em velocidade. Elas são cada vez mais pobres de repertórios ou vocabulários motores (gestos aprendidos e gravados durante a vida através das experiências motoras vividas).

O corpo das crianças e jovens não evolui de forma homogênea (as capacidades psicomotoras não se desenvolvem todas ao mesmo tempo), existem momentos na vida destes que algumas capacidades se desenvolvem mais que outras e perder esses momentos ideais é muito prejudicial, pois, talvez não se consiga desenvolver em um futuro. São esses momentos que definimos como fases sensíveis do desenvolvimento humano, períodos onde os estímulos corretos trarão ganhos maiores para essas crianças.

Um exemplo é andar de bicicleta, quem aprendeu a andar sempre vai saber, poderá ter de se adaptar após longos anos sem praticar, mas saberá andar. Quem não aprendeu enquanto criança terá muitas dificuldades para aprender depois de adulto. Tem a questão de coordenação para a prática, o adulto terá mais receios de quedas e acidentes, já a criança, sobe e vai. Se cair, levanta e vai novamente, de forma simples podemos dizer que a busca pelo novo é maior que o medo do tombo.

Muitas crianças atualmente taxadas de hiperativas muitas vezes não são, o que elas possuem é um grande energia acumulada pela falta de atividade e que gera uma ansiedade ou agitação. Uma atividade física regular certamente traria grandes benefícios para essas crianças.

Outro fator grave e preocupante é as grandes quantidades de doenças e distúrbios que estão mais comuns no público infantil, o que antigamente era doença de adultos e terceira idade, como diabetes, hipertensão e sobrepeso. Isso sem dúvidas está relacionado ao grande sedentarismo destas crianças, potencializados por hábitos alimentares prejudiciais e danosos.

Finalizando, é da natureza humana a necessidade de movimentar-se, estamos indo no processo contrário e pagaremos uma conta alta no futuro. Portanto estimulem seus filhos, incentivem a práticas salutares para se desenvolverem e aumentar o vocabulário motor, isso é saúde! Ao criar-se o habito da prática de uma atividade física, você estará desenvolvendo a saúde de seu filho para a vida toda!

Abraço!