Quem foi que disse que crescimento é progresso? Pergunto isso porque o cenário que a pandemia nos trouxe mais parece um refletor que está deixando às claras algumas pautas imperiosas que giram em torno da crise financeira, desigualdade intensa na distribuição da riqueza, pressão cruel sobre o meio ambiente. No entanto, como aponto seguidamente inquietações para as quais não gostamos de olhar: “toda a situação corre o risco de ir parar debaixo do tapete”. A cena que me vem à mente é a de uma sala escura. Essa sala poderia ser chamada de Terra. No seu interior, muita sujeira e poeira. Mas essa imensa sala já estava escura e o pó e a sujeira não estavam visíveis. A COVID-19 é o refletor intenso que com um feixe de luz revela toda a imundície. Não tem como esconder esta verdade! Não adianta fechar os olhos.

A situação já estava criada: hiatos na infraestrutura, na saúde pública, na educação, etc. Porém, agora tudo está diante de nossos olhos.  A interrogação que passo a tentar responder é: quais oportunidades quando visualizamos a ruína deste combo econômico e social que busca o crescimento desmedido?  Li que na Holanda está sendo desenhado um plano como uma alternativa para o crescimento desenfreado chamada de Economia Donut para retomada pós COVID-19.

A expressão “economia donut” denominada assim pela economista britânica Kate Raworth em livro homônimo, “Economia Donut: Sete maneiras de pensar como um economista do século XXI”, lançado em 2017 e com tradução em português/Brasil pela editora Zahar no ano passado. A concepção está tomando corpo nos diálogos a respeito da nova realidade que podemos construir juntxs pós-COVID-19 e foi foco de refletores quando as instâncias do poder da capital holandesa, divulgaram oficialmente que executarão as  implementações a partir desse novo modelo econômico, de prosperidade em equilíbrio com o planeta. A obra é uma espécie de guia para orientar governos na criação e execução de políticas públicas de estado focadas no desenvolvimento global e em estratégias corporativas – além de pontuar padrões atualizados para o que for feito, de fato resulte em sucesso econômico. Kate cita: “O mundo está passando por uma série de choques e impactos surpreendentes que nos permitem mudar da ideia de crescimento para ‘prosperar(...) 

Ouso apontar que prosperar significa que nosso bem-estar está em equilíbrio. Muitos de nós  conhecemos o bem-estar muito bem no nível do nosso corpo. Este é o momento em que podemos optar por estabelecermos conexões entre a saúde corporal e a saúde planetária.

Isso faz sentido para você? Até a próxima! Seguiremos por este viés.