Nas três colunas anteriores abordei como o cool hunting considera a observação e previsão de tendências em seu trabalho. O contexto a partir do Covid 19 está exigindo que possamos encarar os sinais do cotidiano e assumirmos o nosso faro para o forecasting. Quer percebamos ou não, praticamente todas as decisões e processos de negócios são baseados em uma previsão. Tudo o que planejamos é geralmente, baseado na suposição de que algo irá acontecer no futuro, o que, por definição, é uma previsão. Nem todas as previsões são derivadas de métodos sofisticados, mas um palpite sobre o futuro é mais valioso para fins de planejamento do que nenhuma previsão. E o que fazer agora com tantas incertezas? 

Pois bem, caçar tendências implica na utilização de um dos métodos considerados mais eficazes de investigação: a observação da realidade através de inúmeros indícios. O trabalho consiste em observar a vida, conhecer a realidade local, o tecido urbano e seus fenômenos mais significativos, em ler e compreender a ciência e suas descobertas. O cool hunter não é um simples observador das práticas e modas de vanguarda; ele procura compreender a essência dos fenômenos, suas motivações e consequências e avaliar os resultados e o desenrolar das tendências. Assim, é possível diferenciar as manifestações pontuais das tendências de fato. Esse profissional, em última análise, precisa construir uma visão de futuro a partir de indícios do presente. O cool hunting se aproxima muito mais de um “fazer artístico” dotado de sensibilidade, intuição e imaginação de cada um, aliado às metodologias desenvolvidas por birôs, laboratórios e institutos que trabalham com tendências.

Nesse momento, essa ferramenta e esse fazer artístico são de extrema importância. Temos uma oportunidade – individual e coletiva – de começar a imaginar e mapear futuros. Pois como nos diz a célebre frase do economista americano, Milton Friedman, ganhador do prêmio Nobel de 1976: “Somente uma crise – real ou percebida – produz mudanças reais. Quando essa crise ocorre, as ações tomadas dependem das ideias que estão por aí”. O cenário nos pede por criarmos ideias; ideias estas que podem ir na direção oposta de um futuro distópico. É hora de começar a pensar onde há risco e onde há oportunidade e como podemos modelar futuros. A grande moral é que nenhuma sociedade escapa à mudança e por conseuinte, como mudamos depende de como nos vemos como indivíduos e grupos vivendo o agora.

Para este instante temos que ser todos um pouco futuristas e caçadores de tendências. Não como profissão, mas como nova habilidade de compreensão de nosso zeitgeit e de nossos futuros. Então, lembro Pablo Picasso para que possamos pintar esse futuro, vivendo os sinais de mudança do presente como um presente: “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol”. Sejamos todos estes que transformam essa simples mancha de futuro em um grande e ensolarado futuro.

Até a próxima!

* forecasting - previsões