Começou no final de semana dos dias 14 e 15 de agosto o Gauchão A2, uma nova nomenclatura para uma velha e importante competição estadual, a Divisão de Acesso.

Não é o “Charmoso Gauchão” como dito por muitos da imprensa, com seus investimentos, visibilidade e com a participação de equipes grandes do futebol brasileiro, mas é o futebol gaúcho em sua essência.

Anos atrás a disparidade entre as duas competições era enorme, ainda hoje estão longe, até pelos fatos que citei anteriormente. Mas, como o Rio Grande do Sul possui muitas equipes de grande tradição e na primeira divisão temos 12 clubes, o Gauchão A2 passou a ser composto por grandes equipes gaúchas, com muita história e conquistas no futebol.

Os campos, onde antigamente existia um abismo entre Gauchão e A2 hoje não tem essa grande diferença, não que todos são tapetes (até mesmo pelo clima no período da competição), mas a verdade é que existem campos ruins (porém poucos) e campos bons sendo alguns semelhantes aos melhores da primeira divisão.

Outro aspecto que acho importante, enquanto que a Primeira Divisão esta no momento concentrada em algumas regiões, o Gauchão A2 abrange praticamente todo o Estado, movimenta o futebol de todas as regiões, mantendo vivo a tradição do futebol do interior.

Se o futebol gaúcho é conhecido por ser competitivo e aguerrido, se dá muito pela sua tradição, alguns falam da proximidade com nossos vizinhos Argentinos e Uruguaios, porém hoje o que retrata mais essas características é o Gauchão A2.

Não existem grandes investimentos como na Primeira Divisão, é muito mais sofrido de conseguir o recurso para montar e manter os times, alguns investem mais e outros o fazem para se manter disputando.

Quanto mais investimento melhor, quanto mais estrutura profissional e condições de trabalho também. Mas, é uma competição de muita paridade onde, mais investimento, mais estrutura, um trabalho planejado, recursos humanos inseridos no processo de conquista, de luta e equipes com o perfil da competição são fundamentais. Um desses fatores apenas não é certeza de resultados.

E o “Perfil da Competição”?

O Gauchão A2 ou Divisão de Acesso é uma competição muito “sanguínea”, de competitividade e combatividade muito grande, essas características compensam alguns problemas ou falta de recursos. Uma equipe de menor investimento pode fazer frente a equipes de maior poder econômico em uma ou mais partidas, a questão é até quando consegue isso e se manter na briga pelas primeiras colocações. Já as equipes de maior poder econômico conseguem uma estrutura melhor para suportar a competição que é muito intensa.

Não é possível hoje no início prever quem serão os finalistas, podemos elencar algumas equipes que tendem a fazer uma melhor competição, e mesmo assim poderemos ter algumas surpresas. Pois são muitos fatores que influenciam no bom rendimento da equipe na competição, e as melhores serão as que forem efetivas na maior quantidade destes fatores.

Para mim, é fundamental para fazer uma grande competição usar todos os recursos materiais e humanos e conseguir com isso formar uma identidade competitiva muito grande da equipe e a capacidade técnica torna-se a cereja do bolo.

Não estou falando que é uma competição de apenas briga e sem técnica, bem pelo contrário.  Quanto mais técnica e competitividade, mais chances de chegar. Competitividade sem técnica lutará muito para se classificar e apenas uma equipe técnica e pouco competitiva estará muito perto do fracasso. Então de competitividade alta todas necessitarão, mas as melhores possivelmente serão as mais competitivas e técnicas.

Por fim, não posso deixar de falar que o Gauchão A2 é nosso “Gauchão Raiz”, uma competição muito importante de muita tradição e que forja grandes jogadores e profissionais para trabalhar com o futebol em seus vários níveis. É a essência e a competitividade tão característica do futebol do Rio Grande do Sul.

Abraço!!!!