Dia 19 de julho é o Dia Nacional do futebol, esporte que além de minha paixão move minha vida, são quase 20 anos trabalhando e vivendo esse esporte profissionalmente. Lembro-me daquela frase de Confúcio: “trabalhe com o que se ame e nunca precisará trabalhar na vida”.

Pensei em marcar essa data e a coluna falando de algum fato marcante, mas resolvi falar sobre alguém muito mais marcante que algum fato isolado. Então resolvi falar um pouco sobre um amigo, ídolo e professor que tive o prazer de conviver, Dirceu Lopes Mendes, ou Dirceu Lopes, também conhecido pela torcida do Cruzeiro- MG como “ Príncipe Dirceu Lopes”.

Em 2011, após deixar o Nacional de Manaus fui convidado para participar de um projeto para a disputa da TAÇA BH de FUTEBOL JUNIOR, defendendo a Associação Esportiva Pedro Leopoldo, da cidade de Pedro Leopoldo onde Dirceu era o Secretário de Esporte.

De azarão no início da competição viramos a grande revelação, ficando entre as 8 melhores equipes do Brasil, superando em confronto direto equipes como o Flamengo-RJ e Guarani-SP. Em 2012 veio o convite de retornar ao projeto onde disputamos a Seletiva para o Campeonato Mineiro Sub-20, a TAÇA BH e o Campeonato Mineiro sub-20 (por nos classificarmos na seletiva) e no final ficamos entre as 4 melhores equipes de MG (a frente de Cruzeiro e América).

Bom, mas onde entra Dirceu nessa história?

Dirceu Lopes foi um gigante de 1,62 na grande época do Cruzeiro nas décadas de 1960/70, um meia muito habilidoso e de grande qualidade técnica recebendo a BOLA DE OURO (revista Placar) em 1970 e BOLA DE PRATA em 1970, 1971 e 1973. Na final da Taça Brasil de 1966 (campeonato brasileiro) foi autor de 3 gols na partida contra o Santos de Pelé e após estar perdendo de 2x0 no primeiro tempo, final de jogo Cruzeiro 6 x 2 Santos. Por vencer o Rei Pelé e fazer 3 gols surgiu o apelido de “príncipe”, nome considerado certo na seleção de 1970, mas que foi cortado próximo à Copa do Mundo. Esses são alguns dados para demonstrar a grandeza dele no futebol brasileiro.

Em 2011 aceitei o desafio de entrar nesse projeto em parceria com o Lajeadense-RS, no ano seguinte tive a grata surpresa de  ser convidado juntamente com o Nico Dall’agnol (treinador) para voltar ao projeto, onde Dirceu foi até Lajeado para firmar a parceria.

Um gigante de uma vivência fantástica no futebol e de uma humildade verdadeira, sempre alguém positivo e que construiu nesse projeto algo que considero o futebol autentico e de uma união difícil de ver. Toda a equipe profissional em que trabalhei quando teve um ambiente similar a aquele, fizemos grandes campanhas e tivemos muitas conquistas. Tínhamos dificuldades estruturais mais uma união tamanha entre jogadores, comissão e direção que nos faziam enormes nas disputas e competições em que participamos.

Muitos e muitos treinos quando olhava para o Lado estava lá o Dirceu, embaixo de árvores vidrado no trabalho, e após vinham a melhor parte, as conversas que sempre agregavam tanto no futebol com para a vida. E ainda as histórias engraçadas como no final da Taça do Brasil em que o Cruzeiro ganhou do Santos e ele fez os 3 gols, a equipe estava jantando e uma pessoa entrou no restaurante para conhecer o jogador que decidiu o jogo. Entrou perguntando quem era Dirceu Lopes, quando alguém apontou para o príncipe, o rapaz olhou e falou “Não pode ser, isso ai é o Dirceu Lopes?”.

A verdade é que o futebol é um esporte muito vaidoso e quando tu consegues conviver com um profissional diferenciado como Dirceu e aprende com suas histórias de vida e sua humildade é fácil saber por que ele foi o grande jogador e o ídolo que é. São essas as pessoas que precisamos ter como referência de postura, conduta e caráter. Isso mudaria e muito o ambiente do futebol, seria algo mais honesto, humilde e apaixonado.

Abraço!!!!