Sim! É o que é. É tempo de deixar as coisas às claras. Quanto mais pessoas esconderem o que realmente é empreender, mais pessoas irão desistir! Isso é um fato, porque a gente olha aquela empreendedora modelo, de “blazer de paetê”, fashionista do tipo “acordei e vou para a semana de moda de Londres”, bem sucedida, que apenas imprime aquela imagem perfeita de quem apenas acreditou no seu sonho e não desistiu e se pergunta: o que eu estou fazendo de errado? Afinal, não é possível ter alta performance todo dia, não é possível ser 100% produtivo, estar todos os dias maquiada, arrumada, no blazer, no salto, na pose, seguindo o cronograma da agenda corretamente.⠀

Isso não faz parte da realidade de uma empreendedora real. Quando a gente vê esse modelo de empreendedora perfeita, a gente quer desistir, a gente se frustra, se pergunta no que errou, acha que fracassou que nunca vai dar certo, que nunca vai ter dinheiro, que é melhor desistir dessa loucura.

Daí bate aquela lucidez que nos salva. O que quero dizer com isso? Pega a visão na qual eu acredito: a moral é que quanto mais mostrarmos a verdade sobre empreender, mais pessoas irão se alinhar com a gente, mais pessoas irão enxergar que não estão sozinhas, que não é só elas que ficam improdutivas, de saco cheio, descabeladas, sem maquiagem, cansadas, que trabalham até 2h da manhã. Que se preocupam com a equipe. Com quem está se dedicando, com quem anda matando tempo, fazendo corpo mole e malhando a língua com assuntos que não tem nada a ver com a descrição de cargo e função. E isso mexe no seu foco de tal forma que aquelas pessoas da equipe que fazem a coisa acontecer muitas vezes nem recebem o seu olhar de satisfação, quiçá o seu agradecimento, reconhecendo o trabalho primoroso. O que quero dizer com isso? Gestar um negócio de cabo a rabo é um “bicho feio” que às vezes parece manso só para nos enganar.

É o que é! Escolho tocar na ferida. Não há espaço para a romantização. Sinto que quanto mais a gente mostrar o empreendedorismo como ele é, mais pessoas se identificam e tem um pontinho de esperança que é "normal" passar por aquilo. Podem acreditar que até as mais sucedidas têm seus piores dias (acontece que elas não contam a verdade e fingem muito bem). Eu penso que é isso! Nenhuma me contou. Farejo isso no ar.

Afirmo que empreender não é fácil, não é gostoso todo o tempo, não é estar sempre sorrindo, não é acordar querendo ganhar o mundo todo dia. Empreender é um “bicho feio” grande parte do tempo, tem pepinos que você nunca pensou em resolver na vida, responsabilidades que você pensa: eu poderia viver sem isso. Empreender é chorar sozinha, é se perguntar “o porquê” de você ter escolhido isso? (nem vou comentar aqui sobre o propósito!) É se preocupar todo dia com o dinheiro, mas é também arriscar todo o dinheiro que tem, é lutar contra comentários fantasiosos, pessoas maldosas e desocupadas, opiniões de gente “bem intencionada”, inimigos gratuitos, concorrentes sem princípios e gente folgada que “compra e tem bom gosto” e depois não paga a conta.

Olha, empreender não é fácil não, eu mesma fui saber o que é pró-labore ano passado, eu tenho CNPJ há 11 anos! Mas como diz meu esposo isso não é uma corrida de cem metros. É uma maratona! E eu digo: seu plano de negócio não resiste ao quinto dia de operação. Você vai descobrir que a cada novo dia vai precisar de um novo jogo e uma nova estratégia. Venda é estratégia! E sem venda não tem faturamento. Foque nas metas e no desempenho da equipe - (é o que todo consultor diz) – agora eu pergunto: é fácil? Rebola e se vira! Depois verifica que na real nem sempre você bate a meta e, por conseguinte, é você que banca a conta, honra o seu nome e se fode mais uma vez.

Enfim, é o que é!  Não tem docinho no intervalo. Eu não escrevi essa coluna para dizer que você vai realizar seus sonhos e será lindo! ⠀E sim, para impulsionar você a agir mesmo sabendo que vai se foder no caminho, mas depois disso, vai valer a pena! ⠀É o que dizem por aí e eu boto fé. Vai saber né?! O que a energia do Universo preparou para nos surpreender?