Nesses tempos modernos, em que não vivemos mais em “polis”, feudos e não somos mais diretamente afetados pelo poder do rei, ou do Poder Divino, como regrou e basilaram as sociedades pretéritas, passamos a nos defender e a atacar não em campos de batalhas, e sim nas redes sociais.

Acho que depois da Idade Média, Moderna e Contemporânea, ingressamos em uma nova idade. Cada “tempo” da história, as mudanças traziam consigo novos conceitos de Justiça, de fronteira, de hábitos e tradições.

E agora nossos conceitos de justiça e de hábitos se resumem a verdadeiras guerras atômicas na internet. Somos agora os verdadeiros senhores feudais e reis. E não acredito que um Liberalismo ou um Novo Estado Social seria capaz de mudar o rumo dessa “prosa”.

Brigamos e defendemos nossos pensamentos como um guerreiro na Arena da antiga Roma. Sim! Com escudos e espadas afiadas, que atingem as pessoas de uma forma geral e sem qualquer cuidado. Queremos apenas gritar e dizer que somos vencedores. Nosso pensamento é o melhor e ponto.

Está tudo tão atrapalhado que não sabemos mais em quem confiar. E mesmo quando parece que algo é correto, desconfiamos.

Esses dias acabei compartilhando em uma rede social uma “brincadeira” de mau gosto. Sim. Referia a partidos e pessoas de esquerda, os quais pouco me identifico. Na hora achei engraçado, mas logo após um familiar postou: “pesado”.

Fiquei por horas pensando e vi que ele tinha razão. Meu desgosto de ver muitas pessoas fanáticas de um determinado partido ofendendo-me não me dá o direito de ofender pessoas de bem que pensam diferente de mim.

Posso e devo discordar sempre, mas com respeito. Talvez essa seja a próxima Idade. Idade do Respeito. Respeitar não significa que precisamos gostar daquilo. Não precisamos brigar e nem gladiar para defender nossas ideias, ou melhor, para impor que nossas ideias sejam as corretas.

É complicado impor.  Claro que é difícil. Imagina discutir (no sentido de impor sua opinião) questões penais e sociais, envolvendo um defensor público, um magistrado, um policial, um assistente social... Cada um, em determinado assunto, estudou, se moldou e entende de forma heterogênea.  Podemos, sim, opinar e justificar nosso entendimento, mas jamais dizer que nosso entendimento é o soberano.

Na política, então, enchemos a boca para dizer que o político tal é Deus. Que outro é mito. Que outro é ladrão. Que outro é injustiçado. Depende de cada opinião. Mas adoramos gritar e não gostamos de ouvir os gritos.

Observamos muitos dizerem que os políticos são tudo farinha do mesmo saco. Mas você já ouviu falar que quem faz a farinha somos todos nós? Se a farinha foi boa ou ruim, somos nós os responsáveis.

Até semana que vem.