Imaginem e se transportem para os cenários a seguir. Vários barcos atracados em Dubai, daqueles cargueiros de madeira mesmo, enlonados, como se caminhões a la Brasil fossem. Um Transatlântico ancorado em Porto Belo (SC) com turistas visitando o local por um dia. A BR-101, mesmo duplicada, transbordando de veículos e, quando não parada, andando a passo de tartaruga.

Eles todos são verídicos e nos fazem refletir sobre alguns importantes aspectos. Comparativamente aos países dos Emirados Árabes, o Brasil tem tudo em termos de vantagens climáticas e geográficas relativamente à produção de frutas e verduras. Enquanto que para nós basta olhar para o lado e ver uma horta produzindo todos esses itens consumíveis, aquelas nações dependem do fornecimento de outros países, a exemplo de Índia, que “diariamente” transitam pelo mar e transportam os alimentos perecíveis para a subsistência daquelas pessoas. O que chama atenção? O modal marítimo sendo usado para uma coisa tão diferente para nós, pelos fatos expostos acima. Receber turistas gera divisas para o Brasil e se considerarmos turistas nacionais, para as outras regiões que eles visitam. Mais uma vez o modal hidroviário presente, o que positivamente é explorado por grandes companhias estrangeiras.

Vamos ao terceiro cenário. Apesar dos investimentos já efetuados de duplicação da BR-101, ela ainda tem tido desafios em deslocar pessoas e cargas por estradas congestionadas ou no mínimo lentas. Isso demonstra de uma parte a escolha do Brasil pelo modal rodoviário, mesmo mostrando-se histórica e internacionalmente uma escolha ruim para cargas e itens pesados. Por outro lado, denota o atraso que temos em termos de infraestrutura. Se a ampliação já virou gargalo novamente, significa que ela não foi suficiente e os investimentos não acompanharam no mesmo ritmo o incremento de veículos e a demanda por transporte rodoviário. Enquanto isso, pessoas e cargas demoram mais tempo que o necessário, gastando recursos irracionalmente que poderiam estar sendo direcionados produtivamente em outras frentes.

O que chama a atenção nesses exemplos são os modais possíveis e utilizados, incluindo especificidades de acordo com a geografia da região. O Brasil poderia e deveria, atualmente, passar a utilizar e investir em formas de transporte adequadas para os volumes transportados a exemplo de cargas serem feitas via hidroviária e ferroviária, e não apenas rodoviária. Igualmente, os investimentos em transporte coletivo de passageiros poderiam estar mais alicerçados em ferroviário, o que para os centros urbanos nacionais contribuiria muito.

Vamos produzir alimentos, investir em rodovias, ampliar formas alternativas de transporte para o que atualmente usamos – desafios.