Um tripé não se sustenta sem uma de suas três bases. E para se manter estável precisa estar sustentado numa superfície sólida. Tal analogia relaciona-se ao Triple Botton Line (Elkington, 1994), conceito mais conhecido como “tripé da sustentabilidade”, que leva em conta os impactos sociais, econômicos e ambientais da atuação das organizações na sociedade. Se antes havia negligência de uma ou mais variáveis do modelo, no pós-pandemia haverá de se ter uma revisão de posicionamento, o qual deverá considerar ainda mais a responsabilidade socioambiental como essência, não somente como bandeira.

Há tempos, os termos responsabilidade social, responsabilidade ambiental, desenvolvimento sustentável e sustentabilidade estão em evidência, seja como pauta jornalística, disciplina acadêmica, tema de palestras e cursos, seja (infelizmente) apenas como estratégia mercadológica, ferramenta de gestão com o objetivo de obter certificações ou com vistas a cumprir a legislação.

As dimensões da sustentabilidade são: 1. Econômica, diz respeito ao desenvolvimento econômico; 2. Social, que se refere às pessoas; 3. Ambiental, referente à proteção dos ecossistemas. Esses três pilares significam que o crescimento e o desenvolvimento de uma empresa, instituição, governo ou comunidade precisam levar em conta tais fatores, a fim de que haja sustentabilidade, ou seja, a garantia da continuidade de um processo de forma perene, seja um negócio seja a sobrevivência humana.

Adena Friedman, empresária norte-americana e CEO da Nasdaq (uma das maiores bolsas de valores do mundo) afirma que vivemos o começo de uma nova era, de um capitalismo cooperativo, e que “a pandemia levantou os problemas de focar apenas no retorno dos acionistas. As companhias têm responsabilidades com seus funcionários, com as comunidades em volta delas, com seus clientes e com seus fornecedores para garantirmos que estamos criando uma economia sustentável”. Uma das mulheres mais poderosas do mundo listada repetidas vezes pela Forbes, Friedman pontua que os impactos da atuação das organizações influenciarão cada vez mais na atração de investidores no pós-pandemia. Essa preocupação com a sustentabilidade já deveria ser realidade, tendo em vista o abismo social, os desastres ambientais e a má gestão. De qualquer forma, que ela seja um dos “legados” da pandemia para a sociedade nesta “nova era”.

Quando falamos em sustentabilidade, estamos falando de diversidade de gênero, idade, sexo, cor, capacidades, crença, cultura e opinião dentro das empresas e dos governos. Estamos falando de preservar os recursos hídricos, a Amazônia, a Mata Atlântica e toda a cadeia de matéria-prima. Estamos falando de ética, compliance, governança, democracia e conformidade na gestão. Estamos falando de diminuir as desigualdades e garantir oportunidade a todos, equilíbrio e convivência harmônica entre pessoas, economia e natureza.