Que mundo é esse? O antropólogo e futurista Jamais Cascio toca na ferida sem pensar no quanto vai doer e traz uma leitura que sobrepõe o conceito de mundo VUCA, o qual achávamos que estava diante de nós, afirmando que se antes éramos voláteis, agora, passamos a viver em um mundo frágil; se antes vivíamos a incerteza, agora estamos imersos na ansiedade; se anteriormente  a complexidade do mundo nos tragava agora, passamos a respirar cotidianamente a  não-linearidade; e nesta ambiguidade mergulhamos num universo de incompreensão. Você está sentindo isso também?

Vou explicar melhor de onde vem tal constatação que a leitura cirúrgica do Jamais nos traz a partir do acrônimo BANI que significa Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible, traduzindo, em português: Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível. Sim. Respiramos medo: medo da insuficiência de recursos econômicos, medo de que o que fizemos até então possa se transformar em ruínas num instante, medo da doença, medo da morte, medo de sair, medo da socialização com o outros, medo da solidão e assim segue uma lista de constatações que podem ser nada positivas...

Assim seguimos levados pelas águas do oceano da ansiedade que nos conduzem ao cais das reflexões sobre o que vai acontecer em nossas vidas, sobre a aceleração exagerada da vida... E, ao ancorarmos para respirar na certeza de estarmos em terras firmes, encaramos a não linearidade em um mundo descomunal no qual causa e efeito já não podem ser calculados com precisão. Sem falar da fragilidade de acesso e compreensão de tecnologias e outros sistemas complexos que nos deixam constantemente paralisados e sem capacidade de respostas.

Aff!  Você que está lendo isso deve estar pesando: “A Angela está tão negativa...” Mas, eu lhe garanto que trouxe aqui um pequeno esquenta para a realidade. Com você, estão apenas alguns dos sintomas que retratam o cenário, mas eu poderia seguir com uma lista mais longa de adjetivos para revelar a nossa realidade: hiperconectividade, pressa, velocidade, solidão, incerteza, desconfiança, polarização, etc… E a pergunta que aparece na sequência é: então como navegar diante desta realidade?

Não há uma única resposta. O que acredito que possa nos ajudar é agirmos como ostras diante das lesões que a areia causa em seus corpos moles. E ostras felizes e negacionistas não fazem pérolas. Não criam, não transformam e muito menos se adaptam à realidade. O ato de criar sempre foi resultado do enfrentamento da dor e da ação. Eu acredito que a criATIVAÇÃO haverá de nos conduzir à um mundo antifrágil e melhor!

Até a próxima.