Algumas das colunas anteriores me referi ao processo de modernidade, avanços tecnológicos e as possíveis disrupções que enfrentaremos provavelmente nos próximos tempos. Basicamente teremos uma série de costumes e profissões que estarão em declínio e tantas outras soluções, (melhorias) e novas formas de viver a vida estarão nas nossas rotinas.

Sabemos ainda que nem todas elas acontecerão de modo uniforme e imediato em todas as faces do globo. Certamente em grandes centros em países desenvolvidos elas ocorrerão primeiro, seguidos por grandes centros em países menos desenvolvidos e nas periferias por final. Obviamente isso não é uma regra, e algumas das novidades podem ser amplamente difundidas e instantaneamente usufruídas pela nação global, em menor ou maior escala, no entanto, o normal que se espere é esse acontecimento em progressão geográfica.

Ainda há outra barreira, geralmente inicial, mas constantemente vencida, que é o custo das novidades. Sempre que lançadas, as novas tecnologias promovem preços mais elevados, quer pelo fato “novidade”, quer pelo aspecto do custo que tiveram para desenvolver tal solução, ou mesmo a garantia de reserva de mercado concedida por patentes e modelos de utilidade industrial (o que faz sentido, pois do contrário não haveria incentivo para essas inovações). Isso, entretanto, gera uma restrição de acesso aos consumidores e, portanto, é de se esperar que pessoas (e regiões do mundo) de mais baixa renda não consigam de pronto usufruir dos benefícios trazidos por elas.

Uma coisa é certa. Ainda que haja essas mudanças e paradigmas e se apregoem alterações substanciais, muitas delas nem imaginadas por nós nos dias atuais, sempre haverá algum tipo de “mão” neles. Mesmo que os automóveis evoluam para autônomos, sem a necessidade de motorista, haverá alguém que o projetou e construiu. Aliás, e aí que está a grande sacada, novas profissões surgirão e substituirão os espaços ocupados por trabalhadores em posições atuais, o que já temos vivenciado historicamente.

Uma prova de que a “mão” não deixará de existir. Esses dias presenciei o sorteio de um amigo secreto. Para tal, foi usado um site voltado para essa finalidade. Tudo automático, coloca o nome, participa do grupo, faz o sorteio, tira o papelzinho (logicamente tudo na tela da mídia digital) e pronto. Quer dizer, quase pronto, pois ainda utilizamos produtos físicos (ainda bem, pois era chocolate!). Eis que então começamos a divulgar os nomes e, lá pelas tantas, deu aquela travada na revelação, pois foi revelado o nome de alguém que já tinha anunciado o seu. Aí todos sabem que outra pessoa tem que se anunciar e recomeçar a revelação. Em resumo, o amigo secreto digital não consegue resolver tudo, ainda precisamos da “mão” para que ele funcionasse corretamente.

Ótimas mãos a todos, hoje e sempre.