Foi divulgada a notícia dando conta de que o PIB (soma da riqueza produzida pelo país em bens e serviços) alcançou resultado positivo em 2017, depois de algum período de recessão. Foi um minguado 1%, o que seria inexpressivo e tecnicamente igual a zero,  mas ainda assim matematicamente positivo. Isso demonstrou que a economia não que está explodindo em crescimento, mas ao menos saiu do fundo do poço.

Basicamente podemos dividir a contribuição para a formação do PIB entre as parcelas geradas pelas empresas, famílias e governo. Empresas, hipoteticamente, ainda estão muito influenciadas pelas expectativas (negativas) de mercado dos momentos recentes, adiando investimentos e contratações expressivos, preocupando-se, na maioria, apenas com reposição de estoques e renovação da capacidade produtiva já instalada.

O governo gasta seu desencaixe normal para girar a máquina pública, mas não indica nenhum tipo de grande dispêndio com obras, infraestrutura, tecnologia, novas frentes ou coisa do gênero.

Portanto, gostaria de aqui falar um pouco sobre a participação das famílias, que em última instância, somos nós e demonstramos relevância na dinâmica de gastos nacionais, influenciando igualmente nas decisões de produção e investimento das empresas especialmente.

Para nos darmos conta de quão fundamental é sua participação, calculou-se que em 2017 as famílias foram responsáveis por 63,4% da movimentação do PIB. Ou seja, definitivamente se elas decidem gastar, contribuem fundamentalmente para o consumo de mercado e, por outro lado, se decidem poupar, igualmente trarão impacto expressivo na redução de consumo e por consequência na geração de PIB, avaliando-se ele pelo lado da demanda.

A própria inflação mais baixa (IPCA de 2,95% em 2017) também foi um fator motivador do consumo das famílias, pois em termos reais ficaram com capacidade maior de compra. Some-se a isso o crescimento real dos salários, que tiveram por base ainda 2016, período em que a inflação estava elevada (importante ressaltar que a metodologia de reajuste do salário mínimo tem uma parcela que contempla esse indicador, portanto, quanto maior a inflação, maior o reajuste nos salários). Desta forma, o reajuste foi para uma inflação maior que a que ocorreu em 2017.

O aumento da massa salarial (pelo incremento de população e renda média) também contribui para os gastos das famílias, adicionada pelo ingresso de R$44 bilhões pela liberação em 2017 de FGTS das contas inativas. Portanto, nós ajudamos no PIB.