Se Isaac Asimov estivesse vivo teria feito 100 anos no último dia dois de janeiro.  Para você saber quem foi este Isaac, posso lhe afirmar que ele é considerado um dos “três grandes vultos” da ficção científica e que nos deixou como legado, mais de 500 livros, nos quais fez previsões para a educação do futuro que já começou ontem.

Vou listar algumas tendências que este futurologista apontou em uma entrevista à Bill Moyers, em 1988, na qual Asimov destacou um pouco da sua visão sobre o futuro, e a partir desta ótica,  contemplou aquilo que via ser o futuro para a educação e a aprendizagem. Vamos ver se estas expectativas já se confirmam?

Aprendizagem personalizada - “Hoje em dia o que as pessoas chamam de aprendizado é algo imposto a você. Todo mundo é obrigado a aprender a mesma coisa, no mesmo dia, na mesma velocidade e na mesma sala de aula. Mas todo mundo é diferente. Para alguns, a aula pode ser muito rápida, ou lenta demais, para outros pode estar indo até mesmo na direção errada.”

Aprendizagem baseada em interesse - “Eu escrevi mais livros sobre astronomia do que sobre qualquer outra ciência, mas nunca tive uma aula sequer de astronomia. Sou completamente autodidata no assunto. O aluno deverá ser o único a decidir sobre o que vai aprender, sobre o que vai estudar, seguindo sua própria vocação.

Google, Siri, Alexa - “Existirão bibliotecas enormes, onde qualquer pessoa possa fazer perguntas e ter respostas, acessar materiais de referências, sobre qualquer assunto em que esteja interessada em saber, em sua própria casa, no seu próprio ritmo. Parece-me que é através desta máquina que, pela primeira vez, vamos ser capazes de ter uma relação “um para um” entre a fonte de informação e os consumidores de informação. Todos podem ter um professor, sob a forma de acesso aos conhecimentos acumulados da espécie humana. Um aspecto fundamental [dessa máquina de aprender] é que ela terá uma tela na qual coisas aparecem. Eu acho que isso também pode acontecer com um comando de voz. Você poderia falar com essa coisa e essa coisa poderia falar com você: “Tenho algo aqui que pode lhe interessar”.

Educação pra vida toda (lifelong learning) - “A educação não é só para os jovens. Isso é outro problema que temos com a educação da forma como ela é hoje. As pessoas acham que o período de educação na vida acaba. Se você tem um sistema de educação acessível por computadores, então qualquer um, de qualquer idade, pode aprender sozinho. Se você gosta de aprender, não há razão para parar em uma determinada idade.”

Humanização da aprendizagem - Os computadores não desumanizam o aprendizado. É pelo computador que, pela primeira vez, seremos capazes de ter uma relação de um para um entre a fonte de informação e o consumidor da informação. Em outros tempos, nós contratávamos um professor ou um pedagogo para ensinar nossos filhos. Se ele fosse habilidoso, conseguiria adaptar suas aulas de acordo com as preferências e habilidades específicas de seus alunos. Mas quantas pessoas têm condições financeiras para contratar um professor/pedagogo? A maior parte das crianças não tiveram acesso à educação. Chegamos a um ponto em que é absolutamente necessário educar todo mundo. A única forma com que conseguimos fazer isso foi ter um professor para uma quantidade enorme de alunos, e dar ao professor um currículo para se basear. Mas quantos professores são bons nisso? Como em qualquer área, o número de professores é infinitamente maior do que o número de bons professores. Então ou a gente tem uma relação de um para um com capacidade de servir poucos, ou temos uma relação de um para muitos com capacidade de servir a muitos. Agora, com os computadores, é possível ter uma relação de um para um para muitos. Todo mundo pode ter um professor em forma de acesso ao conhecimento acumulado pelo ser humano.”

Acesso e popularização dos computadores - “Talvez não seja possível [levar computadores a crianças pobres] a princípio. É como perguntar se é possível que todos tenham água potável. Em muitos países, isso é impossível. Podemos tentar e, com o tempo, mais e mais pessoas terão acesso. Quando eu era pequeno, pouquíssimas pessoas tinham carro ou telefone e menos ainda os que tinham ar-condicionado. Agora essas coisas são quase universais e isso também deve acontecer com os computadores.”

Isaac Asimov foi certeiro, sim. No entanto, chegamos a uma encruzilhada: é absolutamente necessário educar todo mundo”, como ele alertou. Estamos fazendo jus a esse futuro que Asimov imaginou?

Sim, a Educação é o principal instrumento para enfrentar as desigualdades do mundo. Porém hoje, nosso sistema educacional atua no sentido de manter e aprofundar as diferenças de oportunidades. Déficits no processo de aprendizagem no transcorrer dos anos escolares sinalizam as habilidades precárias para o mercado de trabalho. O debate sobre a ausência de competências e de soft skills no mundo do trabalho está desconectada do debate sobre a aprendizagem no período escolar, mesmo sendo dois lados do mesmo problema.

É imprescindível otimizar o progresso tecnológico para reduzir as desigualdades na educação e no mercado de trabalho, além de ficarmos atentos aos diversos desafios destas realidades, acompanhando tendências futuras e possibilidades para educadores e empreendedores atuarem com excelência no futuro do agora.