Foi charge de muitas mídias e redes sociais a composição da ganhadora da Copa do Mundo de futebol, a França. Mais especificamente a origem da cidadania daqueles jogadores, cujo time era composto por "imigrantes", tema, aliás, polêmico em especial na Europa, continente próximo a países que tem sido fruto de emigração de seus cidadãos, por problemas bélicos, sociais e econômicos (senão um somatório desses fatores todos).

Aliás, sobre isso, o Brasil também tem sido destino de vizinhos venezuelanos que tem minguado perante às dificuldades econômicas consequentes de políticas públicas com resultados, portanto, comprovadamente infortúnios à sociedade.

Há algumas diferenças bem significativas, no entanto, entre os países. Uma situação é uma nação (teoricamente e de fato considerado) rica receber imigrantes, tendo que distribuir benefícios, os quais não são gratuitos e cujos custos são diluídos nos impostos pagos pela população que passará a carregar tais encargos. Outro caso é o de um país menos desenvolvido, que teoricamente tem "menos a perder" com ingresso de novos candidatos à regularização de uma cidadania. Uma terceira via pode ainda questionar a qualidade da mão de obra ofertada pelos imigrantes, se responderão a trabalhos mais operacionais (menos quistos) ou se podem agregar conhecimento e contribuir no desenvolvimento de tecnologia e diferenciais competitivos no país de destino.

Correlato a isso, cabe ressaltar que a força de trabalho e, por consequência, a cultura de um país com imigrantes, é formada por todos que nele residem. Ou seja, tanto a população nata, quanto a que ´veio depois´ são os formadores da riqueza do país (em todos aspectos, inclusive econômica e cultural). Aliás, é de extrema relevância a mão de obra dos imigrantes, considerado por vezes o estrato que “leva o país nas costas”, como é o caso e para citar um exemplo, os mexicanos domiciliados nos Estados Unidos (também passando por momento inquietante sobre o tema).

Esses dias estive pensando, durante a visita de um intercambista alemão no Brasil, sobre suas origens e não cheguei em lugar nenhum. Ora, eles são a origem, ele está na origem. Nós é que somos os descendentes, o Brasil é um país de imigrantes (e recentes!), é um local de miscigenação, é, no termo em inglês um melting pot. Isso significa que somos um grande caldeirão de misturas de etnias, descendências, línguas nativas e costumes que, em última instância, formam a unidade diversa que somos: o Brasil. Isso nos faz mais ricos. Por essa razão, quem sabe, fica mais difícil entendermos com pré-conceitos nebulosos e repelentes o que os países europeus (e, por modismo e polêmicas do Trump, os EUA também) sentem por relativizar tanto o ingresso de cidadãos do mundo, lembrando que o mundo é nosso.

Certamente a contribuição das pessoas para o desenvolvimento das regiões em que estão inseridos é fundamental. É o que acontece com indianos na área de informática e paquistaneses nos táxis nos Estados Unidos, ou com os indonésios e filipinos dando conta dos serviços domésticos nos Emirados Árabes. Sinceramente, apesar de tudo isso e por mais afastados que estejamos de criticidade, só espero que o Brasil não precise nacionalizar coreanos para compor as próximas copas do mundo, pois só o ´talento´ não está dando conta.