Em algumas cidades da nossa região, protestantes tomaram as vias de acesso e com bandeiras nacionais gritavam por liberdade e democracia. Protestos são instrumentos históricos da população e são legítimos, mas não podem ser contraditórios. 

Gritar por democracia é, para além do direito de se dizer o que se quiser, prezar por ações e projetos inteligentes e que equalizem a balança da civilidade e do respeito pelos outros. Não é preciso estudar direito ou ser jurista para se entender que uma sociedade só avança e tem paz quando há o equilíbrio entre os poderes que a constitui, sobretudo por meio da lei, do diálogo e não da ameaça ou da violência.

As manifestações deste 7 de setembro são um alerta para esse estopim de anormalidade social e que poderá gerar situações de caos econômico em nosso país. Decidir pegar na bandeira nacional e ir para a rua porque os amigos do WhatsApp convidaram, se não for dosado com um pouco de racionalidade, é um comportamento impulsivo e que poderá contribuir com um ciclo ininterrupto de violência.

Vejamos, por exemplo, países em situação permanente de Guerra civil e que são sinais de que, possivelmente, estamos a caminhar para o mesmo fim. A Síria, há mais de 10 anos, é um país em guerra civil. Os conflitos entre militantes extremistas já deixaram mais de 400 mil mortos, devastou cidades de todas as regiões e também arrasou economicamente qualquer potencial produtivo da região. Lá, na maioria das regiões, não existe paz nem dentro da própria casa. Cerca de 11 milhões de pessoas estão nas mãos de milícias e de autoridades que defendem o armamento a todo o custo.

Nesses países em guerra civil permanente, o lema que referenda ou relaciona “Deus e Pátria” também é a bandeira que motiva as violências. Portanto, quando se defende a violência, o golpe e o extremismo em nome de Deus, reafirmo, está a se jogar a semente da convulsão social de proporções irreparáveis. Quem ainda, mesmo após pensar um pouco – para além do impulso do grupos de WhatsApp -, continua a defender essa estratégia deve se perguntar: eu irei até ao final e vou arcar com os custos, expondo a minha vida, a minha família, o meu negócio e o pouco que ainda me resta de paz?

Fica, no mínimo, o alerta!

Ressalto: são justas as manifestações, mas que elas não sejam contraditórias; que não continuem a priorizar a violência através do grito por mais armamento em nome de Deus, ou que ainda insistam em golpe aos poderes jurídicos democraticamente vigentes. Faixas com palavras extremistas como “Só o golpe é a solução”, “Abaixo STF” são embriões da política do caos e da instabilidade econômica de proporções irreparáveis.

O Brasil é um país continental e se não pensarmos grande, com atenção e sobriedade, estaremos cada vez mais longe dos valores do bem, do amor ao próximo, da justiça e da equidade social. Pedir o golpe, o fim do pensamento jurídico em detrimento de um possível e único Rei enviado por algum Deus é como estar cortando o galho sentado na ponta dele, porque não há sociedade que fique em pé sem uma base de sustentação ou de equilíbrio em si mesma.