O tempo santo do Advento nos apresenta um forte convite à conversão, através da figura do “caminho aplainado” que deve ser buscado, preparado antes de tudo no interior da alma de cada um de nós. As dificuldades do tempo presente, que envolvem as preocupações humanas até para a própria sobrevivência, correm o risco de transformar-se em um absoluto, em tirar o foco daquele “único necessário” que nos ensina o Evangelho, que consiste no buscar o Reino de Deus que Jesus veio nos trazer.

Este é o tempo de aplainar os montes de nosso orgulho, de nossa autossuficiência. O tempo de preencher os vales do vazio de Deus em nossa vida, através de uma maior dedicação à oração, que nos coloque em maior sintonia com Deus, bem como da intensificação da caridade, especialmente para com aqueles que são os mais sofridos e carentes de atenção e de amor.

A mensagem de São João Batista, o Precursor, é a de que Deus vai visitar seu povo. Para acolher esta visita, não são suficientes preparativos externos, mas sim uma autêntica conversão do coração, que exige o despojamento de si e a abertura para com o que Deus nos pede.

A 1a Leitura (Baruc 5,1-9) nos apresenta uma exortação, um convite à prática fiel da Lei de Deus. A falta de observância da mesma teve como efeito um duro castigo: o exílio. Deus quer levar de novo seu povo para a terra que Ele destinou e que a infidelidade fez perder. Deus nunca desiste de seu povo.

Na 2a Leitura (Filipenses 1,4-6.8-11) escutamos a ação de graças que São Paulo profere pela atuação da Comunidade de Filipos na difusão do Evangelho. Esta Comunidade cristã ajudou financeiramente o Apóstolo e o apoiou nos momentos difíceis de sofrimento pelo Evangelho. As Comunidades cristãs devem sempre apoiar os apóstolos do Senhor, para que a Boa Nova possa ser anunciada a todas as pessoas.

O Evangelho (Lucas 3,1-6) nos apresenta a figura de João Batista, que prega um batismo de penitência e de conversão. O Evangelista tem a preocupação de situar no tempo e na história este anúncio, citando as autoridades daquela época e os locais onde cada uma delas exercia sua função de governo. O anúncio da salvação preparado por João e efetuado por Jesus está encarnado nas realidades humanas. Da mesma forma, nos dias de hoje, este anúncio de salvação é oferecido a homens concretos, situados no tempo e no espaço. A salvação é uma realidade encarnada, dirigida a cada um de nós, de acordo com nossas necessidades e dificuldades.

Na celebração da Sagrada Eucaristia, ressoa o convite à conversão. É esta a razão pela qual Jesus se faz alimento: para nos fortalecer na decisão de escutarmos este convite e de vivermos segundo o anúncio de salvação que hoje ressoa na Igreja.