Tudo que você conhece quanto a métodos e ferramentas teve de ser adequado ao atual período, e dificilmente retroagirá. Com as restrições e os empecilhos encontrados por todos, as relações virtuais e o manejo tecnológico ganhou um espaço que arduamente se perderá em tempos futuros.

O uso dos recursos disponíveis em abundância viabilizou a conexão interpessoal, da família separada pelo isolamento, até as grandes corporações, onde reuniões são constantes. Ficou evidente o quão econômico é usufruir da tecnologia. As infinitas possibilidades de operacionalização das atividades, tais como plataformas e intranets específicas, assim como instrumentos disponibilizados por grandes servidores, permitem que - quase - todos estejam envolvidos nesta maresia.

A sociedade se encontra na mesma tempestade, não no mesmo barco. A limitação de acesso e conhecimento ainda é uma realidade em um país extremamente rural e subdesenvolvido. O Brasil jamais esteve preparado para incentivar em todas as suas instâncias o desenvolvimento do conhecimento tecnológico, assim como amparar as áreas pobres nos grandes centros, diluídas por todo o território. A imensidão da tecnologia ainda não condiz com a realidade exigida em tempos assim.

Segundo a plataforma de referência em tecnologias no Brasil, Canal Tech, num levantamento realizado em 2 de junho de 2020, cerca de 25% dos brasileiros declararam não possuir qualquer acesso à internet. Isso representa em torno de 46 milhões de pessoas que residem entre zona rural e zona urbana. Ainda conforme o levantamento, mais de 50% dos residentes do campo não possui qualquer vínculo com a computadorização, e a justificativa para tal é a falta de técnica e habilidade no manuseio dos instrumentos.

Mais do que a necessidade de incluir, é preciso amparar. Regiões agrícolas, nos interiores dos Estados, sofrem com a barreira histórica da inserção no meio digital. Por conta disso, crianças e adolescentes com potencial para entender, viabilizar e desfrutar de toda a mobilidade factível tendem a inflar o volume de evasão para a cidade, deixando, de forma cíclica, o campestre à margem da revolução.

A realidade do Brasil hoje é de grande desassistência para com a maioria da população. Com gestões que não assistem adequadamente a realidade, os acontecimentos vão ficando e levando à frente poucos. Esta é uma tendência em alteração.

Os últimos ocorridos fazem despertar atenção de que a miscigenação não foi evolutiva e benevolente com grande parte do povo. Em todos os cantos, encontra-se pessoas que não são atendidas com uma educação inclusiva e moderna. Trata-se de duas categorias, iletrados para a nova era, a categoria de quem provê o alimento e a de quem faz engrenar grande parte da plutocracia. Se busca crescimento e desenvolvimento, mas se ignora a educação e o acesso à ciência e à tecnologia, justamente para quem fez, faz e continuará a fazer um pouco a cada um de nós.

Alessandro Kruel

Acadêmico do 5° semestre de Administração Pública na UERGS - Frederico Westphalen, RS

 

Claudia Cristina Wesendonck

Doutora em Desenvolvimento Regional e Agronegócios – UNIOESTE/PR

Professora adjunta da UERGS - Frederico Westphalen, RS