E agora? Não podemos perder tempo, mas aproveitar cada instante como se fosse o último. Assim podemos decidir viver o agora. É uma escolha pessoal, carregada pela nossa capacidade de processar a mudança. 

Quando falamos de liberdade de escolhas, entendemos que não se pode fazer ou forçar ninguém a mudar as suas atitudes, mas, por outro lado, o envolvimento e a informação correta nas situações podem facilitar a transformação interna da maneira como as pessoas agem diante delas. Aqui entra a responsabilidade social que cada pessoa possui e da qual pode fazer bom uso para impactar positivamente o mundo em sua volta.

A verdadeira mudança de atitudes é voluntarista e envolve vontade. É genuína e autônoma.  Embora as pessoas também possam escolher "comportamentos falsos" para causar boa impressão social ou para evitar a coerção da pressão de autoridade ou punições, mostrando uma "falsa transformação". Neste ponto entra o nosso senso de propósito. Bem naquela ideia dos papos da Alice com o coelho em ‘Alice no País da Maravilhas’. É preciso saber quem somos e para que lugar estamos indo porque é fácil se distrair no caminho.

O que fazer nestes tempos que a gente nem sabe mais se aquele lugar para o qual a gente vai, realmente será construído?  Lewis Carrol, o autor de ‘Alice no País da Maravilhas’,  pontua muito bem o nosso sentimento nesta frase: “Pois, vejam bem, havia acontecido tanta coisa esquisita ultimamente que Alice tinha começado a pensar que raríssimas coisas eram realmente impossíveis”.  E é assim que nos sentimos. Tanta coisa esquisita, estranha, nunca antes imaginada e cá estamos nós, imersos neste caos transformador tentando aproveitar um tempo que também esperarmos que passe rápido.

E o mundo nos mostra sinais divergentes do espírito do tempo. Poucas e emblemáticas autoridades tentando voltar o relógio para um tempo fascista, com regras que já não se atrelam ao tic-tac do “mundo do agora”. Temos providências tomadas por governantes arroladas por um relógio pessoal muito diferente do zeitgeist de 2020.

Divisas entre países sendo protegidas com muros altos, em atitude imperialista de uma época que nem relógio existia, apenas para dar um exemplo. São retrocessos que apavoram o cômputo do tempo, gerando um aligeirar de ponteiros cismados, arrastados e cheios de medo. 

Vou deixar mais um trecho da Alice no País das Maravilhas. Um papo da Alice e o Tempo.

“-Sim?
-Eu sei que você tentou me avisar e eu não escutei, me desculpe.
-Eu pensava que o tempo era um ladrão, que roubava tudo que eu amava, mas agora eu vejo que você dá antes de tomar e cada dia um presente, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo.
-Ah o soldado caído, você quer que eu o concerte?
-Não, eu quero que fique com ele, ele dizia que a única coisa que valia a pena era o que fazíamos pelos outros, ele teria gostado de você...
-Huum... Mas dizem que o tempo não é amigo de ninguém, mas eu lembrarei  de você sempre e por favor não volte mais.” - Alice - Através do Espelho
Quanto tempo isso vai permanecer assim?