O treinamento de futebol, na grande maioria dos clubes, tem como norte o modelo de jogo proposto pelo treinador, por modelo de jogo podemos definir a identidade da equipe. Isso vai muito além do sistema de jogo que se pretende usar (1-4-4-2; 1-4,3,3...), vai de acordo com a característica da equipe e funções individuais de cada jogador nesse processo.

Para um melhor entendimento, equipes que jogam num mesmo sistema terão ações bem diferentes de acordo com a convicção do treinador, podemos ter modelos de jogo semelhantes, mas dificilmente idênticos, pois os jogadores se diferenciam em características e as equipes em suas funções durante o jogo. Esse modelo definirá a forma de treinamento da equipe e ela estará condicionada a esta forma de jogar e não a qualquer forma de jogo.

Imagine um treinador definindo que sua equipe jogue de uma forma ofensiva propondo o jogo (pelas suas características e pretensões do clube). Os treinamentos serão voltados para isso desde a pré-temporada, serão treinos de posse ofensiva, pressão maior sobre o setor defensivo do adversário, ou seja, jogar próximo ao setor defensivo do adversário com mais intensidade, ao roubar a bola estar próximo à goleira deles e demais formas de jogar que ele almeje.

Mas se ao começar a competição isso não esteja encaixando e ele modifique a forma de jogar para algo mais reativo (marcar e reagir às ações do adversário para jogar), então coloca a equipe no setor defensivo marcando e ao roubar a bola partir para o ataque, ao perder a bola no ataque volta rápido para defender no meu campo.

Isso é uma mudança muito drástica na questão de exigências físicas, técnicas e táticas, pois desde o início trabalhou-se uma posse de bola pressionando forte em uma determinada área do campo e agora aumentou muito os deslocamentos porque a equipe joga no campo todo acelerando e correndo distâncias bem maiores para atacar e ao perder a bola. Uma nova forma de jogar faz com que se modifique o treinamento e os jogadores passarão por uma adaptação a essas mudanças.

Então a sessão de treino é a ferramenta que vai criar a forma de jogar e possibilitar estas mudanças de rotas. É nela que serão aplicados todo o planejamento e princípios do modelo de jogo na prática. É superficial pensar que se o treino é bom, então todo o contexto de treinamento é bom.

A sessão de treino será boa e efetiva se for a ferramenta que possibilite um crescimento constante e contínuo das ideias do treinador, não pode ser algo estanque e isolado, mas precisa respeitar, além dos princípios metodológicos do trabalho e do modelo de jogo, os princípios científicos que regem o treinamento desportivo (adaptação, continuidade, especificidade, individualidade, sobrecarga, reversibilidade e variabilidade).

Elas devem ser algo contínuo, relacionadas e interligadas, uma complementa a outra, como num muro de tijolos onde cada sessão seria um tijolo e o muro o treinamento. Todos os tijolos organizados e interligados criando um muro resistente. Se colocar tijolos de qualquer forma certamente esse muro ruirá.

Não podemos analisar uma sessão de treinamento de forma isolada, mas qual a resposta dela na semana de treinamento (positiva ou negativa). Não adianta fazer um treino que aos olhos agradem, mas que prejudiquem as sessões sequentes (tendo que muda-las, diminuir tempo de execução, não conseguir recuperar os jogadores para o outro treino, ou pior, para o jogo).

Temos que analisar o futebol como um sistema complexo, não dá para pensar de forma fechada. As sessões precisam equilibrar o treinamento para que bons treinos não acabem sendo o oposto do planejado. Um treinamento onde as sessões são de grande volume precisarão ter treinos menores e intensos para recuperar e complementar, assim como treinamentos sempre intensos precisam ser quebrados com trabalhos mais moderados e leves para possibilitar uma recuperação. A sessão serve para condicionar e não para fadigar para o jogo.

Independente do que se treina ou como se trabalha, a sessão de treino precisa ser muito organizada, como trilhos de trem, temos barras de ferros paralelas em cima de bases (madeira ou concreto) e que respeitam uma distância exata, aumentar os espaços das barras ou colocar várias bases juntas deixando espaços maiores entre elas ocasionará acidentes graves, por melhor que sejam os trens.

Abraço!!!