Não somos o “Repórter Esso”, mas também somos testemunhas oculares da História. Feliz e infelizmente. Parece que estamos vivendo em uma década marcada por fatos políticos, fenômenos naturais e outros acontecimentos históricos jamais antes testemunhados. Com as mídias sociais digitais e os canais de notícias 24h, recebemos diariamente uma enxurrada de informações sobre novos eventos ao redor do mundo e além dele. Alguns são positivos e outros negativos. Aqueles nos lembram de que a evolução está em curso; estes sinalizam para agirmos de modo a evitá-los. Não há como lembrar de todos esses eventos nem é esse o objetivo do texto. Aliás, alguns deles gostaríamos de esquecer.

Tivemos a “Primavera Árabe” no Oriente médio e no norte da África, onde uma onda de protestos em 2010 resultou na queda de ditadores. Testemunhamos Barack Obama se tornar o primeiro negro Presidente dos Estados Unidos e governar por quase toda a década. Elegemos, em 2010, Dilma Rousseff, a primeira Presidente mulher da história do Brasil. Já, em 2015, comemoramos o “Acordo de Paris”, tratado que visa diminuir a emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global. Além disso, em 2019, acompanhamos o francês Thibault voltar a andar após cientistas criarem um exoesqueleto robótico que permitiu ao jovem de 28 anos contornar as dificuldades da tetraplegia. Enfim, uma década a ser comemorada, embora permeada por acontecimentos negativos.

Especialmente entre os anos de 2019 e 2020 aumentaram os desafios à nossa sanidade. Além do cenário político beirando à surrealidade, como a ascensão de condutas fascistas, e da pandemia do novo Coronavírus, que alterou nossa rotina e matou mais de 1 milhão de pessoas no mundo, ainda testemunhamos, a partir de 2010, outros cinco episódios históricos. Em 2015, a face perversa do terrorismo se mostrou mais uma vez, causando o massacre do jornal satírico francês, Charlie Hebdo. Já no ano seguinte, a primeira Presidente mulher da história do Brasil sofreu o impeachment, episódio a que parte dos brasileiros assistiram atônitos àquilo que futuramente se mostraria um pouco diferente do ponto de vista técnico (não político). De 2015 em diante, dois fenômenos mundiais chamam a nossa atenção: a crise de refugiados da Europa, cujos migrantes fogem de guerras, da fome e de violação de direitos, chegando a mais de 70 milhões em trânsito e 30 mil mortos durante as perigosas travessias pelo Mediterrâneo. O outro fenômeno trata-se do movimento mundial antivacina, que dissemina informações falsas pondo em risco a saúde mundial, ocasionando novos surtos e levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a incluir em seu relatório o movimento como um dos 10 riscos à saúde. Já em 2018, assistimos à execução da vereadora e socióloga, Marielle Franco, defensora das causas feministas e dos Direitos Humanos.

Às vezes cansamos de ser testemunhas oculares da história quando tantas notícias tristes vêm a público pela imprensa, pelas redes sociais digitais ou pelos amigos. Talvez a alternativa mais saudável seja esperar pelo pior, almejando o melhor. Ou mais otimista, desejando que na próxima década possamos presenciar descobertas como a cura da AIDS e do câncer, perceber que a igualdade entre homens e mulheres e entre pessoas brancas e pessoas negras foi alcançada, que o aquecimento global regrediu, que as queimadas não ocorrem mais, que os animais não são mais extintos pela ação do homem, que a corrupção ficou no passado, assim como todas as formas de discriminação.