Durante o período de isolamento social, o uso do whatsapp foi potencializado, amplificando em larga escala a circulação de informações. As apropriações feitas a partir da sua tecnologia facilitaram comunicações, aulas, atendimentos, vendas, relacionamentos, reuniões, etc. Mas como a maioria das invenções humanas, o aplicativo de mensagens também é usado “para o bem e para o mal”. Embora tenha auxiliado comerciantes, professores, prestadores de serviço, familiares - inclusive revelando-se a principal forma de contato dos profissionais da saúde com seus filhos e dos pacientes com Covid-19 internados na UTI, impedindo a contaminação dos seus entes queridos -, o app também é porta de entrada para mentiras, golpes e desinformação.

A partir do trabalho de apuração dos veículos da imprensa e de coletivos de checagem e verificação de informações, constatou-se que sete das dez imagens mais compartilhadas em grupos no whatsapp são falsas e 60% das imagens analisadas relacionavam a pandemia a uma conspiração chinesa (o que é mentira/fake). Tal prática é liderada por pessoas mal-intencionadas, porém, pode também ser impulsionada por compartilhamento descuidado de celebridades, que têm um público fiel que contribui para a viralização das fake news. Daí o perigo! Algumas pessoas confiam no whatsapp como sua fonte principal de informação, seja porque foi um familiar, um ídolo ou amigo quem enviou a notícia, seja porque “se está na internet é verdade”.

O risco das informações falsas aumenta na medida em que a plataforma é usada para fins político-eleitoreiros, principalmente em períodos de eleições, pondo em xeque a Democracia. Já vimos nas eleições dos Estados Unidos (2016) e no Brasil (2018) a enxurrada de informações fantasiosas ou caluniosas compartilhadas em grupos do “zap”. Para que isso não se repita em 2020 e soframos com os impactos de escolhas equivocadas, precisamos estar atentos e vigilantes, pois como afirma o juiz auxiliar da presidência do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Fioreze, “a internet possibilita a participação no debate público, mas é preciso ter cuidados. A ferramenta existe, mas ela está aí para ser usada de maneira ética”.

Diante desse cenário, quem nunca ouviu a pergunta: “Isso é verdade?” de alguém desconfiado com uma mensagem recebida pelo whatsapp. Esse é o começo de uma nova postura frente à escalada da desonestidade intelectual de algumas pessoas que se utilizam do aplicativo para fins antidemocráticos e antiéticos. Não há dúvidas de que duas medidas precisam prosperar: 1. a educação midiática pela escola e pelos próprios veículos de comunicação e 2. responsabilização pelos órgãos fiscalizadores e pelo Judiciário. Só assim não acabaremos desinformados apesar de tanta tecnologia disponível. Para que a internet sirva para propósitos pacíficos, humanos e desenvolvimentistas, é indispensável checar a veracidade antes de compartilhar uma informação.