O Hip Hop é um movimento cultural que surgiu no Bronx, gueto nova-iorquino, na década de 1970 e, anualmente, é celebrado no dia 12 de novembro o Dia Mundial do Hip Hop, uma cultura que rompeu as barreiras dos EUA e conquistou os quatro cantos do mundo. 

A sonoridade do Hip Hop carrega a influência de uma grande diversidade de estilos musicais, sendo a maioria de origem negra, bem como o Funk, o Rock e o Reggae. O jamaicano Clive Campbell foi o precursor dessa cultura e ficou conhecido como o “Pai do Hip Hop”.

Sem fronteiras

Em Frederico Westphalen e região, cada vez mais, o ritmo ecoa e ganha novos amantes. Um exemplo dessa história que se constrói e se firma ao longo dos anos,é do estudante de Educação Física, bacharelado, na URI-FW, Eduardo dos Santos, 27 anos, que há mais de 10 anos estuda e vivencia na pele a adrenalina que o Hip Hop proporciona. 

- Meu primeiro contato com a cultura Hip Hop foi na Escola Estadual Edgar Marques de Mattos, aqui em FW, entre os anos de 2007 e 2008, onde em encontros de torneios de futebol, a música era muito presente. De certa forma, as letras narravam uma realidade muito próxima a minha, de Racionais MC’s ao Da Guedes, do início ao fim do dia. Carrego comigo essa herança musical até os dias de hoje, mas é claro que a realidade é outra, hoje a playlist vai de Drake até Djonga. Em 2009, entrei no grupo Atitude de Rua como aluno de dança, a convite de amigos. Ao longo destes anos, participei de diversos grupos de danças que carregam na essência o objetivo de fomentar e estimular a prática cultural na cidade e região -, contou Eduardo. 

Além da trajetória como aluno, Eduardo é professor, instrutor e pesquisador de dança e do Hip Hop. “Essa cultura, representa uma mudança de vida, mostra que a cultura e a arte são realmente capazes de salvar vidas, de nos educar, de nos sentirmos importantes e reconhecidos”, completou. 

Mulheres na dança 

Carmem Wiroski, 23 anos, entrou para o universo da dança desde muito nova, aos 14 anos, uma cultura que passa de geração em geração no seu meio familiar. Assim como Eduardo, Carmem participou de diversos grupos de danças e, hoje, trabalha como professora de dança no Colégio Edgar Marques de Mattos e na Cufa-FW. 

- Minha relação com a cultura Hip Hop está diretamente ligada a dar voz às pessoas que moram em bairros e periferias e que não são vistas na sociedade por não terem uma condição financeira muito boa. É sobre dar oportunidade para essas pessoas e, dessa forma, elas mostrarem a sua realidade e trabalhar para uma transformação coletiva. O Hip Hop como dança nunca foi só sobre dança como diz o Eduardo, é sobre conexão, amor, cuidado e respeito com os colegas que fazem parte do grupo -, compartilhou. 

O Hip Hop é dança, diálogo, atitude, é rima e arte. Para Carmem, o movimento lhe permite pensar e refletir como sujeito social, é sobre estar presente e, principalmente, valorizar uma identidade cultural e ocupar espaços públicos. 

- O Hip Hop é uma arte que te apresenta a expressão social, artística e política, é uma cultura de revolução, protesto, valores e crenças -, finalizou.

Um projeto de vida 

Dos palcos de dança para as mesas de som, João Francisco Martins Arce, conhecido artisticamente como DJ Jiboia, de Palmeira das Missões, é organizador e residente do Projeto Festa na Selva, juntamente com Renato Huller. O projeto é uma realização firmada há quase dois anos, tendo como foco principal, apresentações musicais voltadas para um ritmo único: o Hip Hop. 

- Meu posicionamento no mercado como Dj também é nesses estilos, de Hip Hop, Funk e Reggaeton. No entanto, o Hip Hop sempre foi mais presente e que me acompanha ao longo da minha carreira. Sempre lutei e luto muito para que esse estilo fique cada vez mais forte em nossa região que, por muito tempo, foi apagado e sofreu muito preconceito. Mas hoje temos nosso projeto como referência na região, tivemos a honra de trazer muitos artistas de fora para se apresentarem aqui e a nossa ideia é expandir cada vez mais. Sempre representando essa cultura de todas as formas possíveis. Paralelamente, nosso projeto já abriu as portas para artistas locais e da região divulgarem seu trabalho, bem como dançarinos, beatmakers, Mcs, Djs, grafiteiros e pós-pandemia queremos fortalecer cada vez mais essa parceria com esses artistas -, compartilhou.