Há nove anos atrás, quando Francisco Noveletto assumiu a presidência da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), o cenário do futebol no Estado era um pouco diferente do que temos hoje. Cidades que possuíam equipes profissionais há bastante tempo, como Uruguaiana e Cruz Alta, por exemplo, desapareceram do mapa futebolístico do interior. Em seu lugar, novas apareceram, como é o caso de Frederico Westphalen, entre outras. No entanto, observa-se uma diminuição no percentual de clubes do interior na primeira divisão do Campeonato Gaúcho.

Vivemos uma realidade onde dificilmente o título do Gauchão sairá das mãos de Inter ou Grêmio. Para os clubes do interior, resta lutar para, pelo menos, manter ativa suas atividades em meio a tantas dificuldades enfrentadas.

Se na divisão principal os times de fora da capital já enfrentam uma realidade complicada, para os clubes das demais divisões, disputar as competições torna-se uma batalha diária.

Aqui na região, temos o exemplo do Palmeirense, que retornou às atividades depois de nove anos fechado. E, quando se está inativo há bastante tempo, o retorno é ainda mais complicado, como explica o responsável pela equipe de esportes do clube, Régis Lorenzoni.

– O clube estava fechado há quase dez anos. Tivemos que montar um quadro de sócios, remodelar o estádio, arrumar o campo, adquirir material de trabalho, entre outras atividades. Depois, montar uma equipe sem uma categoria de base, tendo que contratar todo o elenco de jogadores. Também tivemos que fazer com que a comunidade pegasse gosto novamente pelo futebol de campo –, explicou Régis, que também falou das dificuldades financeiras e da falta de incentivo por parte da FGF.

– A maior dificuldade certamente foi na questão financeira, de conseguir apoio, patrocinadores. Infelizmente, as empresas que têm mais recursos não investem no futebol. A FGF não disponibilizou nenhuma ajuda de custo para os clubes da terceirona, então foi um sacrifício para reestruturar o clube. Fizemos um chamamento, juntamente com os demais clubes, para que a Federação nos apoiasse mais, inclusive na questão do repasse financeiro, mas infelizmente não fomos atendidos. Acho que o que ficou em aberto nesse campeonato da terceira divisão foi que a FGF não atendeu aos pedidos dos clubes do interior –, criticou Régis.

Outro exemplo de clube do interior que luta para se manter ativo é o União Frederiquense, que começa a contratar profissionais para a disputa da Divisão de Acesso 2014. Nesse trabalho, tudo tem que ser definido cuidadosamente, como afirma o presidente do clube, Celson Oliveira. “A primeira coisa, ao montar um grupo, é contratar um gerente de futebol, depois partir para a comissão técnica e aí sim ir atrás de jogadores”, aponta Celson, que também faz uma crítica à Federação:

– A principal dificuldade pra nós, do interior, é não jogar o ano inteiro. Acho que o clube que não joga o ano inteiro tem mais dificuldades para montar uma equipe de qualidade. Também a falta de um apoio financeiro maior da Federação, uma vez que os clubes da Série A ganham perto de R$ 1 milhão e para a Divisão de Acesso, no último ano, só veio R$ 100 mil. No momento em que for viável ao União fazer futebol o ano inteiro a qualidade de time melhora bastante. Para jogarmos o ano inteiro ainda nos falta uma estrutura física, que deve ficar pronta em 2015 ou 2016, um campo próprio, para não estar dependendo de outros lugares até pra treinar –, afirma.

Almir Felin