“Acredito que a arte e a educação caminham juntas, elas mudam a forma de pensar e ver o mundo”, exclamou a artista plástica, Valéria Pinheiro, 45 anos. 
Aos 12 anos de idade, Valéria começou a desenhar e pintar, e o que era mais uma brincadeira de criança, foi se tornando o seu hobby favorito e com isso, se graduou em artes visuais, trabalha como tatuadora e se tornou mestre em educação. 

– A tatuagem faz parte das artes visuais, é arte no corpo. Foi na faculdade que conheci mais sobre esse universo da tatuagem, há 16 anos quando comecei a tatuar, existia um preconceito maior em relação às pessoas que tinham tatuagem, acredito que nossa região contribui para diminuir esse preconceito, pois muitos clientes enxergam que a tatuagem não rotula ninguém, hoje as pessoas percebem que a tatuagem pode ser delicada e ter significados importantes, a tatuagem é arte. Logo após começar a tatuar fiz curso de body piercing e micropigmentação de sobrancelhas, olhos e lábios. Eu amo minha profissão –, contou a profissional.

Para Valéria, a arte muda a humanidade e, segundo Ana Mae Barbosa, “a arte amplia o desenvolvimento da interpretação e, ao interpretar, o indivíduo amplia a sua inteligência e capacidade perceptiva, podendo aplicar em qualquer área da sua vida”. A arte pode tornar os indivíduos mais sensíveis e humanos para construir uma comunidade melhor. 

– Comecei muito cedo a pintar autodidata, mas foi na universidade que comecei a compreender o que é ser uma artista plástica. Ainda na faculdade comecei a pintar em séries, a primeira foi chamada de Trabalhadores, uma homenagem aos agricultores da nossa região que trabalham com a terra. Tive a oportunidade de expor em muitos lugares no Brasil e países a fora e, em Roma, recebi um prêmio com essa pintura. Sucessivamente fui pintando séries que sempre tiveram mas mazelas humanas como tema. Fiz um trabalho voluntário na África e ali surgiu meu desejo de compartilhar arte com as crianças de baixa renda –, explicou.

Arte sem Fronteira 

Após longas experiências, a artista criou um projeto nomeado “Arte sem Fronteiras” e atualmente, mais de 1.000 crianças em situação de vulnerabilidade social, tanto no Brasil quando em Moçambique, que participam do projeto. E foi neste momento que Valéria percebeu o quanto esse projeto poderia impactar positivamente na vida de tantas crianças e famílias. 

Seguindo na mesma linha, a “Galeria de Arte – Valéria Pinheiro” foi ganhando forma nos últimos anos, onde diversos cursos de pintura em tela para crianças e adultos são oferecidos, sendo realizados uma vez por semana.

- Eu tenho muitas telas pintadas e, no ano passado, quando começamos a fazer cerâmica, o ateliê começou a ficar pequeno, então, construímos a galeria para expor tanto as pinturas como as cerâmicas. A ideia da galeria é que a comunidade tenha acesso para visitas e também para que as escolas possam trazer os alunos para visitação promovendo o acesso das crianças com a arte -, complementou.

No ateliê, Valéria pinta telas, produz cerâmicas, ilustra livros, oferece cursos e coordena o projeto. Já no estúdio, oferece serviços como, tatuagem, micropigmentação e piercing.

A arte é o meu ar, minha força, minha energia, minha leveza, minha inquietação, meu desabafo, minha indignação, minha paz, minha humanidade, minha coragem, a arte é um presente de Deus na minha vida, pois ela é minha própria vida, ela faz parte da minha jornada, ela me salvou e me salva todos os dias, ela faz esse sopro de vida ser mais colorido, divertido e fazer sentido -, finalizou Valéria Pinheiro.