Militância por equidade

Todas nós mulheres desenvolvemos múltiplas funções ao mesmo tempo. Somos psicólogas dos amigos, veterinárias dos nossos animais, chefes de cozinha, empreendedoras de negócios, esposas, mães e políticas, se quisermos.

A Bella desta edição tem uma história de representatividade, feminismo e luta por equidade de gênero. Formada em jornalismo pela PUCRS, Manuela d’Ávila é uma das 104,772 mulheres que vive no Brasil na busca por respeito e equidade de gênero. Natural de Porto Alegre, a mãe de Laura, de quase 2 anos, milita por causa sociais desde 1999. Manuela ainda cursava faculdade quando percebeu a necessidade de apoiar o movimento estudantil contra o sucateamento das universidades federais e contra o aumento de mensalidades nas instituições privadas. Por se tratar de uma figura pública, o que me despertava muita curiosidade era sobre quais eram as pessoas que a inspiravam, afinal, para formarmos nossa personalidade e sermos quem somos, buscamos inspirações e referências, mesmo que inconscientemente. Como ela mantém uma relação aberta com as pessoas, Manuela nos contou que se inspira nas mulheres mais simples que conhece: nas mães que criam suas filhas sozinhas, nas mulheres que lutam para defender seus empregos e quem passa por grandes dificuldades e consegue resolvê-las.

A filha da juíza Ana Lúcia e do engenheiro Alfredo d’Ávila, é uma mulher forte, que acredita que todas as mulheres devem e têm por direito, a liberdade de amamentar seus filhos em locais públicos. Pensando em uma iniciativa que corroborasse com a ideia, ela apoia o agosto dourado: mês do aleitamento materno, o qual intensifica as ações de conscientização.

Como Procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa, Manuela como outras as outras mães, já sofreu preconceito por expor sua opinião favorável sobre o aleitamento materno. Em 2016, em sua mídia social, Instagram, a jornalista recebeu críticas após postar uma foto amamentando a Laura, na cama do casal.

Manuela, durante sua vida profissional, aprendeu a filtrar e quando necessário rebater as críticas. A jornalista respondeu os comentários maldosos da foto postada no Instagram: “o peito é meu”, como forma de mostrar que não cabe mais aceitar preconceitos e ações maldosas em relação ao corpo feminino, e talvez por isso ela se apoie tanto nas militâncias feministas.

“Garantir a amamentação é garantir o direito das mulheres. E digo sempre para outras mulheres estudarem, conversarem com outras mulheres, buscarem acolhimento. Todas as nossas escolhas são escolhas pesadas. Algumas mulheres não conseguem amamentar seus filhos, mas os amam, e nós não podemos criar a ideia de que o amor só existe pelo ato de amamentar”. Afirma a deputada.

E claro que ser mãe muda o corpo, a mente e as ideologias de cada mulher. Quando Laura nasceu, ela tinha 34 anos, e a rotina que pela lógica seria dividida entre o trabalho e a vida familiar, vivaram uma só. Como ato de protesto, a filha acompanha a deputada nas sessões na câmara, como gesto de reivindicar que nós mulheres, independente das circunstancias podemos exercer o que quisermos.

“Ser mãe de uma mulher faz com que tenhamos reflexões bem profundas, porque ficar grávida me fez perceber com mais intensidade que o mundo é feito por homens e para homens. Eu pretendo que a Laura seja uma mulher livre, e que saiba que todas nossas escolhas trazem consequências, mas nós mulheres podemos escolher aquilo que nós faz feliz”.

Como mãe, como ser humano, a gravidez muda uma mulher radicalmente. Manuela afirma com todas as letras e com euforia na voz que mudou totalmente. Laura mudou a visão de cidade, política e direitos e questões de gênero com sua chegada. “Eu sou muito mais apaixonada pela vida do que eu já era”, conta. Juventude revolucionária

Apoiadora das lutas juvenis, Manuela em 2004 foi eleita a mais jovem vereadora de Porto Alegre. Sempre militando ao lado da educação e da política, os ideais se mesclam e ficam muito homogêneos quando se trata de mudanças significativas ao país.

Mesmo com a rotina apertada, a deputada sempre organiza as datas para que possa passar nas instituições de ensino para debater assuntos de pertinência. Desde que iniciou sua trajetória no movimento estudantil, a jornalista acredita que toda transformação social tem plano de fundo a educação.

-Nelson Mandela já dizia que se nós temos condições de ensinar as crianças a serem racistas, temos condições de ensinar a não serem. Então eu acredito que nós em geral ensinamos essa superioridade dos homens em relação as mulheres, a violência de homens em relação as mulheres desde a primeira infância.

Para romper com essa cultura machista que por vezes deslegitima o direito das mulheres, Manuela não só como política, mas como mãe acredita que será por meio da educação. E dessa forma, ela participa da construção do seminário Educação sem machismo. Ainda ela relembra como foi enriquecedor a conversa que teve em Frederico Westphalen, ainda nesse ano.

Apontada em 2011 pela revista Época como uma das 40 personalidades mais influentes com menos de 40 anos, muitos momentos marcaram a lembrança da jornalista. Ao longo dos 13 anos de carreira política, cenas de desrespeito acompanharam a caminhada da Manuela até a câmara de deputados.

Que a maioria de parlamentares são homens, isso não é novidade. Mas os momentos que marcaram Manuela foram os de convívio com mulheres políticas. Trocar ideias, ter conversar com essas pessoas fizeram ela se reencontrar ao viajar o estado ao lado de Laura para construir as mudanças pelo estado.

Quando perguntei ainda, sobre o que a instigava a continuar lutando pelo direito das mulheres, a nossa Bella foi muito prática para responder: a realidade. “As mulheres que sofrem violência, as mulheres que não conseguem postos de trabalho, as mulheres que são demitidas após engravidarem, as mulheres que criam suas filhas sozinhas e a sociedade acha normal/ natural, isso me instiga a lutar”.

Para você ser Bella é? Ser Bella é ser uma mulher que consegue solucionar os problemas na ausência do estado, é conseguir ser forte perante as dificuldades impostas a nós todos os dias somente porque somos mulheres. É conseguir ultrapassar os preconceitos. Ser Bella é ser uma mãe que falta o trabalho para cuidar dos seus filhos quando adoecem, isso é ser Bella!  

Isadora Sant Anna - bella@folhadonoroeste.com.br