Uma moradora da linha Santos Anjos, em Frederico Westphalen, encontrou no último sábado, 18 de janeiro, um filhote de gato-do-mato de cor negra. A produtora rural, Floraci Dalagnol, trabalhava na lavoura quando notou que seus cães saíram de uma mata próxima, acuados por algo estranho. A agricultora foi em direção ao local e avistou o filhote no chão e, com receio de que os cachorros o machucassem, levou-o para casa e o guardou em uma gaiola. “Dei papinha de leite com farinha”, disse Floraci.

A reportagem do Folha foi até a propriedade para saber mais sobre a história do animal, e segundo relatos da agricultura, ela acreditava que tinha encontrado um filhote de onça. 

No dia seguinte, ao encontro do filhote, Floraci notou que a tela da gaiola onde havia deixado o animal, estava danificada. Ela acredita que algum dos pais do filhote tenha tentado retirá-lo de lá, durante a madrugada. Segundo a agricultora, já havia acontecido de os cachorros saírem do mato, acuados, em junho de 2013. Embora a família não soubesse do que se tratava, desconfiava que deveria haver felinos na área. 

Na tarde de segunda-feira, 20, policiais da Brigada Ambiental de Frederico Westphalen estiveram na propriedade de Floraci e identificaram que o filhote é uma fêmea de gato-mourisco, espécie conhecida popularmente como jaguarandi. A Patrulha Ambiental (Patram) estima que a filhote tenha cerca de três semanas. Conforme o terceiro-sargento, João Carlos de Mello, o último registro semelhante que o grupamento atendeu ocorreu há dois anos.

A filhote foi levada à sede do Batalhão, onde recebe cuidados até que atinja tamanho suficiente para ser devolvida a seu habitat natural. Um adulto de gato-mourisco pode chegar a medir 77 centímetros. Sua pelagem é curta, cerrada e não é pintada como a de outros felinos da América do Sul.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o gato-mourisco é uma espécie em situação vulnerável, ameaçada de extinção. Pode ser encontrada em ambientes, como florestas e regiões de caatinga. Além disso, costuma viver à beira de rios e lagos, mas também pode ficar em lugares secos e de vegetação aberta.

Foto: André Piovesan

Cristiane Luza