Alpestre vive um novo momento na agricultura. O município, que já é considerado o segundo maior produtor de laranjas do Rio Grande do Sul, em breve deverá ser destaque não só na fruticultura como também na avicultura a suinocultura. A mudança na cadeia produtiva começou a ganhar força há pouco mais de um ano, quando a administração municipal criou um programa de desenvolvimento rural, contemplando as duas atividades, assim como a bovinocultura e fruticultura.

– O projeto é inovador, prevê horas-máquina, compra de adubo, mudas de parreira e laranja, entre outros incentivos, contemplando várias atividades –, explica o vice-prefeito, Rudimar Argenton, que está na coordenação da iniciativa. Quanto à suinocultura e avicultura foi realizado um trabalho de divulgação entre os produtores interessados, com inscrições. O grupo participou de visitas a propriedades modelo. As integradoras são Cooper A1 e Suinocultura Acadrolli, de Rodeio Bonito.

Com a criação de uma lei de incentivo, o município auxilia os produtores com a terraplanagem. Com isso, Alpestre passa de uma pocilga e dois aviários antigos para 20 modernas pocilgas, envolvendo 15 produtores e 20 aviários, com tecnologia de última geração, e sete produtores envolvidos. “É um apoio importante porque reduz o investimento do produtor que, muitas vezes, não poderia começar o empreendimento, levando em conta que algumas estruturas ultrapassam o valor de R$ 4 milhões”, destaca o vice-prefeito.

Nos próximos 60 dias, alguns aviários e pocilgas já recebem os primeiros lotes. Cada aviário terá capacidade para 60 mil aves, e poderá gerar até R$ 40 mil de retorno para o município. Já de suínos, há pocilgas que recebem mil animais e outras, em torno de 800, dependendo da empresa integradora, todos para terminação. “É uma mudança na cadeia produtiva que traz oportunidade de renda, emprego, sucessão rural e maior qualidade de vida para os produtores”, acrescenta Argenton.

Sucessão rural

O apoio foi fundamental para que a família Lipreri, da linha Alto Feliz apostasse na suinocultura como nova atividade, visando fomentar a renda. Há cerca de oito anos, eles se mudaram para o Paraná, integrando um grupo de reassentados da Foz do Chapecó. Há três, retornaram para Alpestre e agora não pensam em mudar.

Douglas Lipreri, filho do proprietário, Dirlei João, cursa Agronomia na Unochapecó e pretende não só auxiliar a família neste projeto, como também permanecer no campo. “A terraplanagem foi importante, reduzindo um custo inicial de R$ 30 mil só para isso. É um recurso que não pode ser financiado, e é difícil para levantar”, comenta. A propriedade deverá receber o primeiro lote entre 30 e 60 dias e recebe a orientação técnica da Cooper A1.