Chegamos na terceira coluna falando sobre o assunto de amamentação. Fazendo uma retrospecção, na primeira coluna (25/10) falamos sobre a importância de amamentar, dificuldades que podem surgir e influenciar na amamentação e desmame precoce. Na segunda coluna (08/11) abordamos orientações de como se preparar para amamentar e nessa coluna abordaremos os seguintes assuntos: volta ao trabalho e desmame, assuntos que podem influenciar muito na manutenção da amamentação e saúde mental e física da mãe e bebê. 

Para falar sobre a volta ao trabalho é importante contextualizar as transformações que estão ocorrendo no panorama feminino. Anteriormente, a mulher quase que exclusivamente se dedicava somente às funções maternais. Felizmente, nesse momento as mulheres tem buscado igualdade de direitos, como estudar, trabalhar, se sustentar e ser independente, no entanto toda essa conquista acaba influenciando a maternagem. Um exemplo, é a volta ao trabalho, precisando terceirizar o cuidado de seu filho e principalmente colocando em cheque a amamentação. Por isso a volta ao trabalho precisa ser bem planejada. 

É essencial pensar em como continuará amamentando, caso a mãe não possa realizar o translado de ir até o bebê para amamentar todas as vezes que necessitar. Sugiro pensar na extração do leite, no armazenamento, de que forma será ofertado ao bebê, cuidar para não “empedrar” a mama caso fique sem poder amamentar por um grande período. Para continuar amamentando precisará de equilíbrio para focar nas prioridades tanto do trabalho quanto com os cuidados com o bebê, mas principalmente de uma rede de apoio que possa auxiliar nos novos desafios que surgirem com o distanciamento dessa mãe e de seu filho que estavam tão ligados.

Caso essa mãe decida pelo desmame, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Organização Mundial da Saúde e Ministério da Saúde defendem amamentação exclusiva até os seis meses, e a partir desse período que continue sendo amamentado até os dois anos, mas com a inclusão de outros alimentos, isso significa que existem evidências científicas que comprovam a importância da prática da amamentação prolongada. Sendo assim, da mesma forma que a mãe se dedicou para iniciar a amamentação, precisará ter com o processo do desmame. Se a mãe desejar continuar amamentando ou realizar o desmame é decisão dela, a partir do momento que a mãe e o bebê estiverem prontos, pois é uma separação decisiva do corpo da mãe, estabelecida desde o parto. 

É importante que seja natural, gentil, com muita conversa, contato e presença da mãe, pautado na verdade. Quanto mais tranquilo e respeitoso, o desmame for, mais segurança e autonomia a criança terá. A mulher deverá estar segura para esse processo, sem pressão de um desmame que não seja de seu desejo. E é importante esclarecer que o desmame não é apenas do bebê, mas também da mãe.

Enquanto consultora em amamentação defendo a amamentação exclusiva até os seis meses, prolongada, em livre demanda pelos benefícios a criança, que se prolongará para a fase adulta, a mulher, a família e a comunidade, mas acima de tudo acolho a decisão da mulher em não amamentar se essa for a vontade. Por vezes, a mulher sente cobrança de todos os lados para amamentar, mas muitas vezes não é perguntado a ela se está precisando de ajuda, seja para poder dormir tranquila, descansar, se alimentar, limpar a casa, lavar a roupa e acima de tudo se tem intenção de amamentar. A mulher precisa ser vista e respeitada também nesse momento que é de nascimento de um novo ser, e também de uma nova mãe. 

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*Por Graziela Piovesan