A expectativa de vida tem crescido para os brasileiros ao longo das últimas décadas, mas não são todos que esperam viver até os 100 anos. Pois, em Vicente Dutra, no Distrito de Laranjeiras, um morador já passou disso e é mais velho que sua cidade, a qual possui 53 anos de emancipação.

Gabriel Saldanha, 107 anos, todos os dias celebra a alegria de viver ao lado da família. Depois de ficar viúvo pela segunda vez – a última esposa, Albertina Lemes Cavalheiro, faleceu em junho deste ano –, o idoso comemorou o último Dia dos Avós, celebrado anualmente em 26 de julho, tendo 27 netos e três bisnetos. Com a primeira esposa, Orandalina, teve seus sete filhos: Maria, Nida, José, Lurdes, Adão, Eva e Leori. Apenas três ainda estão vivos, o caçula Leori e as irmãs Nida e Eva, estas duas últimas, que residem perto do pai dividindo a tarefa de cuidá-lo.

Nascido em Palmeira das Missões em 18 de março de 1912, o centenário foi o segundo filho dos seis tidos pelo casal de agricultores Antonio Francisco Saldanha e Alzira Lemes de Oliveira e agora o único sobrevivente entre eles. Produtor rural desde a infância, foi funcionário do primeiro prefeito de Frederico Westphalen, João Muniz Reis, e carregou no Porto Mondaí, até as margens do rio Uruguai, em Vicente Dutra, toras de madeira que formariam as balsas que desceriam pelas águas em direção à Argentina. “As madeiras eram grandes, bem grossas. Encostava elas embaixo e numa forquilha em cima. Tinha seis juntas de boi para ajudar”, observa.

O segredo para a longevidade? Ter mantido atividades físicas regulares na juventude e uma alimentação equilibrada, livre de agrotóxicos. “Como comida crioula, arroz, feijão, mandioca, batata... Sempre gostei de muitas verduras, tiradas direto do nosso canteiro, livre de venenos, que hoje tem muito”, conta Gabriel.

O idoso já não consegue sair além dos limites da área e tem o sono como aliado: dorme por volta das 20h e acorda diariamente em torno das 8h. Embora a memória falhe de vez em quando, as lembranças são compartilhadas com vizinhos e quem quer que chegue à residência na rua Amapá. Basta estar disposto a ser adotado como neto e parar para ouvir seus causos.