“Wabi” significa “coisas simples e frescas” e “Sabi” significa “coisas cuja beleza foi adquirida com a idade”. O conceito subjacente a esta arte secular é simples: encontrar beleza na imperfeição, ou seja, o wabi-sabi valoriza mais a beleza singular, aquela que é naturalmente bela; do que aquela que é obviamente bela, mas que foi artificialmente construída, por exemplo.

Viver de forma modesta e aprender a sentir-se satisfeito com aquilo que tem depois de eliminado o supérfluo é a filosofia do wabi-sabi. Aplicado à decoração, não difere muito deste conceito.

A origem

wa-sabi se originou a partir de antigas cerimônias orientais, como a do chá. As maiores inspirações dessa filosofia é a doutrina taoista e a religião budista. Surge durante o século XV, numa clara oposição à riqueza e luxo emergentes. Ela manifesta-se, hoje, em vários tipos de arte, como no paisagismo – com o cultivo de bonsais, a elaboração de arranjos florais e de jardins zen; no artesanato – como a criação de peças em cerâmica; e no design de interiores. É como um testemunho de vida. Preza-se pela simplicidade e pela apreciação de uma beleza imperfeita, resultante do envelhecimento natural das coisas.

A noção Wabi-Sabi de que as coisas mudam e que precisamos aceitar tais mudanças também tem tudo a ver com a decoração. A penteadeira que tínhamos quando criança, hoje não é mais a mesma – como nós também não somos. A gente muda, o mundo muda ao nosso redor e a decoração da nossa casa acompanha esse movimento.

É difícil precisar o que é beleza. Dizem que ela “está nos olhos de quem vê”. Então, cada imperfeição é percebida de maneiras diferentes, dependendo de cada pessoa. Um objeto quebrado, trincado, desbotado ou desgastado, evidenciando o passar dos anos, pode conferir ao ambiente um charme a mais, agregar valor simbólico e dar a sensação de simplicidade, modéstia, naturalidade e despojamento aos seus usuários.

Uma decoração assim não precisa ser monótona, triste ou melancólica. Pelo contrário. Interiores em estilo wa-sabi, apesar de apresentarem um aspecto rústico, de tons sóbrios e monocromáticos, costumam ser alegres, aconchegantes e serenos. A assimetria vem acompanhada das formas orgânicas e curvilíneas dos móveis – todos em elementos de aspecto natural.

Quando os japoneses reparam objetos quebrados, eles enaltecem a área danificada preenchendo as fissuras com ouro. Eles acreditam que, quando algo sofre um dano e tem uma história, torna-se mais bonito. Essa arte tradicional de reparação da cerâmica quebrada com pó de ouro é conhecida como Kintsugi – o resultado é que as cerâmicas não são apenas reparadas, mas tornam-se ainda mais fortes do que eram originalmente.

Wabi sabi na decoração

Evidentemente trasladar a ideia do Wabi-Sabi para uma habitação ocidental pode ser uma tarefa difícil e inclusive incômoda, principalmente se a intenção for decorar a casa toda nesse estilo, mas se a ideia for dar toques do estilo, ou decorar apenas um ambiente específico, talvez não haja tantos problemas.

Essa apreciação do despojamento é representada nos dias de hoje por meio de uma estética que valoriza o rústico, o imperfeito, o monocromático e o aspecto natural. O que está em questão é o processo, não o produto final. Esse conceito está intimamente ligado ao slow living, que busca desacelerar e se concentrar no que geralmente é deixado de lado.

Uma mesa de madeira maciça e com pouco acabamento, uma tábua de cortar alimentos que vai adquirindo talhos mais profundos com o uso, flores secas reaproveitadas em novos arranjos simples e despretensiosos – são objetos que conservam as marcas do tempo e, à sua maneira, contam uma história.

O estilo valoriza o natural, os acabamentos pouco refinados ou até mesmo mais primitivos e em termos de cores predominam os tons terrosos, cinza e verdes, pode-se dizer que é um estilo rústico japonês.

A iluminação também é muito valorizada e a que melhor se adapta é a tênue, dirigida, com contrastes entre claros e escuros.

Embora o aço e o concreto não sejam materiais próprios do estilo, com uma visão eclética e moderna poderíamos incluí-los dentro dessa peculiar visão estética.

Se quiser adicionar fotografias, o melhor é que tenham como tema principal a natureza, se prefere pinturas, que tenham as linhas simples que contem poucos elementos e tem como tema principal a natureza, que reflitam a importância das texturas.

Flores combinadas com outras plantas, ervas, são elementos que ajudarão a incrementar a atmosfera Wabi-Sabi, nesse tipo de decoração os motivos e simbolismos humanos são praticamente inexistentes, prevalecendo somente os motivos vegetais, animais e minerais. É uma decoração centrada na essência do natural.

Os objetos rústicos, móveis de madeira simples, sem artifícios, com notáveis marcas de desgaste pelo uso e passar do tempo são a base para uma decoração inspirada no estilo Wabi-Sabi.

Tudo o que tem uma história, identificação e valor sentimental é bem vindo no estilo e podem ser misturados tranquilamente a elementos decorativos novos, inspirados nessa estética, o que embora não resulte em um estilo Wabi-Sabi puro, terá lá o seu enc

Dicas na hora de decorar ao estilo wabi sabi

  1. Ambientes minimalistas, simples, orgânicos e modestos.
  2. Requerem-se espaços pouco cheios onde os artigos dominantes são exclusivamente os essenciais. Essa escolha é feita baseada na sua utilidade, beleza ou sentimentalismo (ou os três).
  3. A gama de cores da decoração wabi-sabi está no branco e nos tons terra.
  4. Privilegia-se o uso de materiais naturais (madeira envelhecida, pedra esfarelada, barro, lã, algodão cru, linho, caxemira, papel de arroz…) em vez de materiais artificiais e/ou luxuosos (plástico laminado, mármore polida, placa de vidro, porcelana, poliéster, licra…).
  5. Em termos de peças de decoração, aprecia-se as artes decorativas, mobília e elementos reciclados/reaproveitados, objetos feitos à mão e encontrados em feiras de usados, antiguidades e outras do gênero.
  6. A Mãe Natureza deve ser uma companhia constante e deve ser trazida do exterior para o interior sempre que possível: plantas e flores, de preferência do campo, e até ramos de árvore são bem-vindos. Neste contexto, a única “exigência” é que a flora utilizada seja da estação do ano em vigor.
  7. Proteger a casa contra o ruído, o que significa um melhor isolamento de portas e janelas, cortinados mais pesados, chão de cortiça, menos eletrodomésticos ou então, protetores para pousar as máquinas de lavar roupa e louça.
  8. Organizar a casa de cima a baixo, deitando fora, reciclando ou doando o que está a mais; encontrar um lugar específico para cada coisa para manter a organização.
  9. Privilegiar a luz natural e a de velas em detrimento da iluminação artificial.
  10. Gosto especial por formas irregulares e que não têm necessariamente de combinar entre si (em termos de mobiliário também).
  11. Expor peças com alma, elevado simbolismo ou sentimentalismo: fotografias a preto e branco do casamento dos seus avós, lençóis e toalhas bordados pela sua mãe, uma escultura amadora feita pelo seu companheiro, um conjunto de pedras apanhadas à beira-mar ou um desenho colorido do seu filho.
  12. Criar um espaço pessoal que serve de refúgio e/ou de meditação.
  13. Apreciar a imperfeição – a presença de arranhadelas e fissuras na mobília, portas ou objetos é considerado um símbolo da passagem do tempo e da forma carinhosa e natural com que foram utilizados. No ambiente certo, as peças gastas por anos de uso ganham uma magia inigualável e reconfortante, são companheiros de uma casa, testemunhos de uma vida.