O pequeno Brayan completou cinco anos no dia 30 de agosto e no dia 19 de outubro, completou um ano de um fato que transformou diversas vidas. Filho de Geneci de Vascocellos e Emilio Gabriel Kuviatosz, e irmão mais novo de Ruan Gabriel, Brayan ressignificou a palavra amor. 

– Meus dois filhos sempre foram muito saudáveis e amorosos, Ruan é mais tranquilo e tímido, enquanto o Brayan sempre teve uma personalidade mais forte e comunicativa. Na escolinha, as avaliações que tenho guardadas o descreviam como um menino forte e com espírito de liderança. Como no ano passado não tinha aula presencial, era comum os dois irem para a piscina, mas em um certo dia, em 19 de outubro de 2020, o Ruan não quis entrar. Lembro de sair de dentro de casa e não avistar o Brayan e então gritei e, no mesmo instante, o Ruan mergulhou e alcançou o seu irmão no fundo da piscina. Quando o deitei sobre o piso, ele estava com uma cor normal e imediatamente comecei a fazer os movimentos básicos que tinha conhecimento. Enquanto eu o reanimava, o Ruan tentava ligar para a Brigada Militar que, quando chegou, o levou imediatamente para o hospital. Essas lembranças ainda tiram o meu sono –, conta a mãe. 

Geneci lembra que Brayan ficou desacordado por, pelo menos, 25 minutos e, a partir daquele momento, tudo começou a mudar. A caminho de Passo Fundo, Geneci afirma que “foi o pior trajeto da minha vida” e que, na ambulância, faltou oxigênio e bateria para os monitores. A poucos quilômetros da cidade, Brayan teve uma nova parada cardíaca. 

– Quando chegamos no Hospital São Vicente de Paulo já estavam nos esperando com o oxigênio, mas parecia tarde demais. O meu filho deu entrada na UTI sem nenhum parâmetro, pois todos os monitores estavam desligados. Tínhamos três prognósticos de morte e o primeiro seria morte encefálica, parada cardíaca ou falência múltipla de órgãos. Imediatamente, passou por procedimentos de drenagem nos dois pulmões. Na medida em que as horas passavam, o exame clínico apontava morte encefálica. No primeiro e segundo teste havia aberto um protocolo que confirmava, mas na terceira vez ele respirou. Quando se tem um filho saudável e se recebe esse diagnóstico, é a mesma coisa que perdê-lo, eu não consigo explicar a dor que eu senti naquele momento, meu pedacinho de gente estava ali, imóvel em uma cama e eu agarrei toda e qualquer possibilidade de esperança para ele melhorar –, afirma Geneci. 

A família descobriu a oxigenioterapia hiperbárica e iniciou uma maratona com o coração cheio de esperança. Em Curitiba, no Paraná, a família passou por dois meses para realizar 30 sessões do procedimento que não resultou em nenhuma evolução. 

– Retornamos para Frederico e começamos a perceber a queda de saturação. Ele foi internado com um quadro infeccioso e, ao ser levado para uma UTI de Rio Grande, descobrimos uma hemorragia cerebral. Ele foi encaminhado para Pelotas, para realizar a cirurgia intracraniana e, após isso, ficou dependente de ventilação mecânica. Em 30 de julho deste ano, conseguimos a transferência para Passo Fundo, onde estamos até hoje –, diz. 

Brayan, atualmente, está com traqueostomia, gastrostomia e visicostomia. “Ele está estável dentro do quadro de Coma que se encontra”, detalha.

Segundo a mãe, a diária de um leito de UTI em Passo Fundo, custa em torno de R$ 2.500. 

– É uma luta diária e do interesse da equipe médica que o paciente possa ter alta, mas esse processo envolve altos custos, que somente será possível com ordem judicial. No momento, vamos fazer as adequações necessárias para posteriormente ter o Brayan em casa. E isso inclui a aquisição de um gerador de energia para suprir, caso haja falha na distribuição da companhia. Agradeço a todas as pessoas que estão nos ajudando e que nos dão forças diariamente. São muitas mãos que nos apoiam e enviam boas energias. Muito obrigada –, finaliza Geneci. 

O Brayan, conhecido por ser um menino doce, sorridente e cheio de alegria de viver, são as melhores recordações que impulsionam a esperança. E esse menino precisa da sua, da nossa ajuda! 

Festa beneficente 

– Esses últimos anos nos ensinaram grandes lições, mas em especial, que devemos nos cercar de pessoas boas, que tenham o mesmo propósito, que saibam onde querem chegar, que torcem pelos amigos, que consigam ter empatia. Cada um pode ajudar e contribuir da sua forma, pois a soma final será de grande resultado a quem de fato precisa. Brayan é um guerreiro e precisamos, mesmo que de forma simbólica, fazer a nossa parte –, afirma o empresário Roberto Felin Junior, mais conhecido como Betinho, o qual está à frente de uma ação beneficente em prol do Brayan. 

O empresário conta que a ideia inicial, entre amigos, foi realizar uma festa em sua casa para 200 pessoas, no entanto, o local não oferecia estrutura necessária para acomodar o público e parceiros que estavam procurando. Com isso, a festa será realizada na Berlin Club de Frederico Westphalen, na área externa, com início às 15h, no dia 18 de dezembro. 

Inicialmente serão disponibilizados 300 ingressos e, dependendo da proporção, o número será ampliado para 500, no valor de R$ 30 cada. 100% do valor arrecadado de apoiadores, venda de cerveja e água e ingressos, será revertido para o Brayan.