Novos crimes foram acrescentados à denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) e enviada ao Judiciário, contra a mãe de Rafael Winques, Alexandra Dougokenski. A informação foi confirmada durante coletiva de imprensa virtual realizada na tarde desta sexta-feira, 10.

Agora, Alexandra será acusada formalmente de ter cometido homicídio doloso – quando há a intenção de matar –, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual. O MP-RS reafirmou que não há hipóteses de que a mãe teria contado com o auxílio de terceiros para cometer o crime.

– Temos essa convicção de que ela agiu sozinha. Fizemos toda a análise dos celulares e esse tráfego de dados, do pai constam que ele estava em Bento Gonçalves. Temos depoimento da casa que ele aluga, da irmã dele. Nos depoimentos da Alexandra, ela reafirma que o Rodrigo não tem nenhuma participação, que o namorado, o filho não tem nenhuma participação e quem matou o Rafael foi ela. Isso nos dois interrogatórios que ela presta para a polícia civil – explicou a promotora de Jusitça, Michele Kufner.  

Fraude processual é acrescentada

Segundo a promotora de justiça, Alexandra Dougokenski tentou atrapalhar as investigações ao trazer à tona um calendário que supostamente teria sido marcado por Rafael, indicando uma fuga.

– Ela chamou o inspetor de polícia na casa dela, começa a sustentar a farsa novamente e na sequencia diz que encontrou o calendário com a marcação. O inspetor vai e ela mostra, diz que achou estranho, dando a indicação que apontou o dia 14 como um indicativo de fuga. Isso demonstra que ela tentou inovar, trazendo um elemento não verídico para a investigação, com o nítido intuito de atrapalhar o trabalho da polícia, para que continuasse nesse viés do desaparecimento – disse.

Semelhanças com vídeos pornográficos

O promotor de Justiça e coordenador do Núcleo de Inteligência do MP, Marcelo Tubino, explicou sobre a relação do crime com os recentes vídeos pornográficos acessadas pela mãe de Rafael. Tubino detalhou que a mãe ainda teria buscado um artigo médico sobre a utilização da droga “boa noite cinderela”.

– Rafael foi encontrado com o rosto coberto. Um desses filmes chama a atenção que no meio desse filme tem o diálogo com uma criança. Chamou muito a atenção do MP a semelhança com as circunstâncias que aconteceram. A denunciada pesquisa não uma matéria mais um artigo médico sobre os componentes do boa noite cinderela. O artigo é expresso em dizer que a vítima tem um sono profundo ao ingerir o elemento em questão. Então, o MP chegou à conclusão que essa torpeza, auxiliado por traçar o perfil psicológico da denunciada em oferecer a denúncia nesses termos –, afirmou.

Penas

A estimativa inicial é que Alexandra Dougokenski seja condenada a até 42 anos de reclusão. No somatório de todos agravantes e qualificadoras, a pena mínima é de 14,5 anos de detenção, e o máximo, 42. Não há uma previsão para a realização do julgamento em Planalto, entretanto, o coordenador de Apoio Operacional Criminal e de Segurança Pública, Luciano Vacaro, acredita que, pela quantidade de envolvidos (apenas a mãe), haverá uma celeridade no processo.

– Embora o fato gravíssimo, por ter uma ré só, não haveria tantos obstáculos para uma tramitação célere. Comparado com outros casos, esse seria um mais singelo até porque o Ministério Público não arrola muitas testemunhas e isso tende a facilitar a tramitação do processo – salientou.