A agência do Banrisul de Frederico Westphalen vem recebendo nesta semana solicitações de clientes que relatam situações que se caracterizam como o golpe do “falso motoboy”. Segundo alerta repassado pela instituição, os casos começaram a surgir nesta semana.

A fraude ganhou visibilidade com a reportagem exibida pelo programa Fantástico, no último domingo, 28 de fevereiro, pela Rede Globo. De acordo com a Polícia Civil, a estimativa é de que entre março e agosto do ano passado o golpe movimentou mais de R$ 10 milhões somente no estado de São Paulo.

Segundo informações repassadas pelo plantão da Polícia Civil de Frederico Westphalen, no dia de hoje não há registro de ocorrências, no entanto, esses casos podem inclusive ser registrados através do sistema Delegacia Online RS, através da internet, sem a necessidade de se deslocar até a sede da Polícia Civil local. A orientação é justamente para que as vítimas não deixem de informar esses casos, pois essas  informações são fundamentais para as investigações.

Como funciona o golpe

Um criminoso liga para vítima, quase sempre idosa, dizendo que houve compras no cartão de crédito. A pessoa nega e é orientada a ligar para o banco, por meio do número que está no verso do cartão. Mas a ligação para o número verdadeiro da central bancária é desviada pelos criminosos por meio de uma central telefônica que tem instalado um sistema conhecido como URA, de Unidade de Resposta Audível, que permite uma série de recursos de telefonia, como por exemplo, atender, transferir e desligar uma ligação.

Após o desvio da ligação para o banco, por meio das centrais telefônicas clandestinas da quadrilha, a vítima fala com outro criminoso que informa ter ocorrido uma clonagem. Tudo é falso e, é nesse momento, que ela repassa todos os dados, inclusive a senha. A pessoa também é orientada a cortar o atual cartão sem danificar o chip, a fazer uma carta avisando o banco, autorizar investigação sobre o fato, além de bloquear o cartão. Como há a pandemia e o distanciamento social, com grande risco para idosos saírem de suas residências até uma agência bancária, um motoboy — que é mais um integrante da quadrilha — vai até a casa das pessoas  pegar todo o material, como se fosse mais um serviço para auxiliar no falso procedimento.

Por fim, a vítima é orientada ainda a desligar o celular por algumas horas para realização de todo o processo. Com isso, ela não consegue ver os alertas bancários sobre saques e compras com o seu cartão. O golpe ocorre porque os criminosos conseguem obter senha e até mesmo o chip dos cartões das vítimas.