O Ministério da Agricultura confirmou, nesta segunda-feira, 29, a suspensão da autorização para que dois frigoríficos gaúchos exportem carne de frango à China. Foram afetados pela decisão os estabelecimentos Minuano, em Lajeado, no Vale do Taquari, e a JBS, em Passo Fundo.

Segundo o ministério, as autoridades sanitárias do país asiático demonstram preocupação diante de um novo surto de coronavírus próximo à capital Pequim. Desde então, o governo chinês passou a monitorar empresas que exportam para a China.

A exportação pelo frigorífico Minuano foi suspensa, de forma temporária, pela Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês), órgão responsável pela habilitação de estabelecimentos exportadores para o país. A empresa informou que, neste momento, não irá se manifestar sobre o assunto. Outros dois abatedores de carne bovina, localizados no Mato Grosso, também tiveram a licença de exportação suspensa. 

Por meio de nota, o Ministério da Agricultura informou que o órgão chinês não apresentou os motivos das suspensões. A pasta disse que iniciou negociações para que as suspensões possam ser derrubas, buscando à retomada das exportações para a China.

Já o frigorífico da JBS em Passo Fundo, no norte do RS, teve a licença de exportação retirada voluntariamente pelo Ministério da Agricultura. A medida foi tomada em virtude de uma decisão judicial relacionada aos procedimentos de prevenção e controle da covid-19 entre os trabalhadores. A empresa disse que não vai comentar o assunto. 

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) entende que a medida é "injusta". Em comum, os frigoríficos brasileiros suspensos tiveram casos de covid-19 entre os funcionários. Segundo a associação, todos os funcionários testados positivos foram afastados de suas funções.

— Estamos com canal aberto para a China, mas a suspensão abre precedentes para que o Brasil perca mercado. Nosso produto é de qualidade e sugerimos que seja feita a análise dos lotes exportados para lá — avalia o presidente do Conselho Consultivo da associação, Francisco Turra.

O secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Covatti Filho, disse que acompanha a situação junto ao governo federal. Além disso, garante que todas as medidas sanitárias estão sendo tomadas desde o início da pandemia.

— Esperamos que a troca de informações entre o Brasil e a China possa resultar, o mais breve possível, na retomada dos negócios — comentou.

Conforme o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) do Rio Grande do Sul, não existem evidências de que os alimentos transmitam o vírus.

*Com informações da Gaúcha ZH