O Dia Nacional de conscientização sobre Esclerose Múltipla foi comemorado no dia 30 de agosto, e para esclarecer o que é esta doença, o jornal Folha separou algumas informações importantes sobre o tema. 

Conversamos com o médico neurologista que trabalha na Clínica Santa Margarida, em Frederico Westphalen, Auredi Teixeira, que explicou o que é a doença. 

“A esclerose múltipla é uma doença autoimune, ou seja, é uma doença não contagiosa, não hereditária onde o problema básico é a formação de anticorpos anormais. Explicando, anticorpos são proteínas que o corpo produz para proteger de doenças, como infecções. Eventualmente nosso sistema imunológico começa a funcionar mal e produz anticorpos que ao invés de nos proteger afetam partes do nosso corpo. A esclerose múltipla é uma dessas doenças dita autoimune onde esses anticorpos afetam e acabam por destruir uma substância chamada bainha de mielina. Fazendo uma analogia, é como o revestimento plástico de um fio de luz. A célula do sistema nervoso central, chamada neurônio tem prolongamento que se chama axônio e esse prolongamento é revestido por uma substância, uma proteína chamada mielina. Esta mielina é afetada por esses anticorpos a reação inflamatória que se forma em função disso acaba por destruí-la.

Ela cursa de várias formas, mas a forma mais comum chama-se surto-remissão, onde ela tem um evento inflamatório agudo com sintomas neurológicos que se resolve ou fica com alguma sequela. Passando algum tempo um novo surto, com novos sintomas neurológicos, podendo ou não ficar com sequela, e assim vai sucessivamente ao longo da vida. É comum que cada surto deixe alguma sequela e o paciente vai acumulando e progressivamente vai ficando debilitado e limitado”, afirmou. 

Os sintomas da doença começam com alteração na força, na coordenação motora e os sintomas visuais são muito comuns, como explicou o doutor. 

“Basicamente toda e qualquer função neurológica é atingida, seja a linguagem, a sensibilidade, visão, audição, a coordenação, podem ser afetadas”, ressaltou. 

 

O diagnóstico é feito por meio de critérios clínicos e critérios paraclínicos (baseado em exames), a união dos dois elementos resulta em um diagnóstico preciso sobre a doença. 

Teixeira destacou que o tratamento inicial quando se tem a suspeita da doença é feita através de medicamentos conhecidos como corticoides. “Como é autoimune quase todo tratamento se baseia em suprimir a imunidade ou modificá-la. Na fase inicial o que fizemos é suprimir essa imunidade, ou seja, diminuir a resposta inflamatória do paciente para diminuir a agressão a mielina, já o tratamento definitivo com medicações vão modular o funcionamento do sistema imunológico”, revelou. 

Não se conhecem ainda as causas da doença. Sabe-se, porém, que a evolução difere de uma pessoa para outra e é diagnosticado principalmente em mulheres. A idade em que ocorre os primeiros sintomas também é uma curiosidade. Na maioria das vezes afeta mulheres na faixa etária adulta (jovens no final da adolescência até o final da meia idade), como informou Teixeira. 

Na semana marcada pelo Dia Nacional de Conscientização sobre Esclerose Múltipla, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) de um novo medicamento para o seu tratamento acompanhar essas e outras informações sobre o tratamento e dúvidas sobre o assunto, acesse o site do Ministério da Saúde e também o site da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla através dos links: http://www.abem.org.br/ , http://goo.gl/8KSzKs 

Jessica Hock - saude@folhadonoroeste.com.br