Natural dePalmeira das Missões e portoalegrense de coração, Leonardo Nogueira da Silva, 32 anos, é formado em Ciências Biológicas, com mestrado e doutorado em Botânica pela UFRGS.

- Me formei em 2013 e, no início de 2014, me mudei para POA para iniciar os estudos no mestrado e, logo após, o doutorado. Em 2019, passei seis meses no Canadá como bolsista e finalizei o doutorado no início do ano passado.  Depois que eu finalizei o meu doutorado, fiquei um período desempregado e então resolvi começar o meu próprio empreendimento para ter uma fonte de renda, a Padoca. Além disso, nesse mesmo período, fortaleci a minha relação com a fotografia de alimentos, quando participei de um concurso de fotos em homenagem aos 20 anos do site “Panelinha”, da Rita Lobo. Eu tive o privilégio de ser um dos vencedores do prêmio e depois disso resolvi continuar explorando o meu lado na cozinha e fotografando os pratos que preparava e ia postando nas redes sociais -, contou.

Desde maio de 2020, a Padoca da Botânica se tornou uma das realizações profissionais de Nogueira, a qual, tem um espaço significativo na sua vida. Amante pela cozinha e pelo desafio de criar novos pratos, ele também é apaixonado pela ciência e, em fevereiro de 2021 foi contemplado com uma bolsa de pós-doutorado na UFRGS, e voltou a atuar na sua carreira como cientista.

- A Padoca foi uma ideia que eu tive lá por setembro de 2019, quando comecei a fazer pães de fermentação natural e vender para os amigos mais próximos. Criei um perfil no Instagram, mas ainda era um produto em standby. Oficialmente, a Padoca surgiu em maio de 2020, após receber muito incentivo e tornar um hobby, como minha principal fonte de renda. Naquela época, minha colega de apartamento também estava desempregada e resolvemos trabalhar juntos. Abrimos encomendas para o Dia das Mães e, com o tempo, fomos aprimorando a gama de produtos, aumentando, incrementando o cardápio e criando uma identidade visual para a Padoca -, continuou. 

A Padoca foi crescendo e além de pães e salgados, a produção de tortas e doces não tinha folga. O público da Botânica não parava de crescer e, cada vez mais, a marca se consolidava entre as referências culinárias e dos encantos do Bairro Bom Fim. Nogueira deu nome e cara ao seu negócio e hoje, a Padoca da Botânica tem seu público consolidado e trabalha, exclusivamente, sob encomenda. 

- Sempre gostei de cozinhar e quando saí de casa isso foi potencializado dentro de mim.Eu sempre fui aquela pessoa que cozinha para os amigos, sabe? Quando vim morar em POA, comprei meu primeiro livro de culinária, por sinal, foi um livro da Rita Lobo, e comecei a explorar receitas que eu nunca tinha preparado. Comer e cozinhar sempre foi uma atividade central na minha vida, pois eu prezo muito por esses momentos. É tanto um hobby quanto uma necessidade, e a cozinha acabou virando meu refúgio. Concomitantemente, eu fui investindo em acessórios, eletrodomésticos e louças e hoje em dia, minha cozinha é super equipada. Eu gosto de poder inspirar outras pessoas, pois para mim, cozinhar é uma habilidade que requer prática, concentração e planejamento, independentemente se você quer fazer arroz com feijão ou um prato de restaurante. Cozinhar se aprende -, completou Nogueira. 

O principal diferencial da Padoca é o processo 100% artesanal de seus produtos, com quitutes vegetarianos, saudáveis e saborosos. Nogueira conta que não utiliza produtos ultraprocessados em seus pratos e tudo é preparado com ingredientes de verdade, comprados diretamente em feiras. 

- Tem duas coisas que fazem com que eu me sinta vivo de verdade, a primeira é a minha profissão como botânico. Estar em campo, no mato, viajando e estar exposto ao ar puro, é algo que me faz sentir vivo. Mas receber as pessoas é algo que me emociona também, colocar uma mesa arrumada, uma louça bonita, compartilhar esses momentos me faz ser uma pessoa mais feliz. E ambas as coisas que citei, não faço há um bom tempo por conta da pandemia, o que me deixa um pouco triste, mas compreendo que é necessário. Mas as memórias existem e eu mal posso esperar pelo momento de tudo acontecer de novo -, finalizou.