É comum as pessoas dizerem que alguém agiu pela emoção. Conforme estudos psicológicos, essa expressão popular tem mais verdade que o senso comum reconhece. E ainda tem mais, emoção não é o mesmo que sentimento.

– As emoções são um conjunto de respostas químicas e neurais que formam um padrão diferente do habitual. Estas respostas são produzidas quando o cérebro normal recebe um estímulo que ‘quebra’ esse ‘equilíbrio’, desencadeando a emoção –, afirma a psicóloga Talita Castelão Fernandes.

Ou seja, a emoção é um processo químico do corpo, na maior parte das vezes, involuntário. Por isso, os olhos marejados ou a expressão de surpresa não são planejados. Já os sentimentos podem ser mascarados. “O sentimento é uma espécie de juízo sobre as emoções”, declara a Talita. 

É um processo de cinco fases conforme o esquema abaixo. O corpo extravasa a emoção (acontecimento), causando um pensamento (pensamento), o cérebro avalia o que está acontecendo (cognitivo), provocando um sentimento (sentimento), e então, tomamos uma decisão (comportamento). 

O problema é que muitas vezes as pessoas agem pela emoção sem analisar a situação. “Devido às emoções serem inconscientes, nem sempre correspondem à verdade”, afirma a psicóloga. Com o erro cognitivo, as pessoas processam as informações de maneira errada, levando a conclusões equivocadas. Essa capacidade é chamada de Inteligência Emocional, fundamental para gerir os relacionamentos.

Acontecimento > Pensamento > Erro cognitivo > Sentimento > Comportamento 

Interpretação das emoções

A psicóloga Talita exemplifica, com alguns episódios, a reação das pessoas diante de uma emoção. Pessoas com tendência a catastrofização esperam o pior de uma situação sem levar em conta outros desfechos. Pessoas assim entram no elevador e acreditam que ele vai cair e lhes ocasionar a morte.

Existem aquelas que dão importância a um atributo, evento ou sensação de forma minimizada ou exagerada. A pessoa tem um bom emprego, mas acredita que todo mundo tem. 

As emoções de outros são personificadas. Se o chefe está de cara feia, a pessoa acredita que é por que ela fez algo errado. Pessoas assim não consideram outros fatores que podem levar ao mau humor de seu gestor.

Existem os que tendem para a adivinhação (vai dar tudo errado) ou leitura mental (não estão gostando da minha conversa). Alguns são sempre as vítimas da situação (faço tudo pelos meus filhos, mas eles não me agradecem) e outros ainda optam pela questionalização. Elas focalizam o evento naquilo que poderia ter sido e não foi. Ou culpam a si mesmas pelas escolhas do passado e questionam as futuras.

São vários os pensamentos resultados de sensações não processadas. “Para não ser escravo das emoções, é preciso analisar as informações concretas e não acreditar que, por que está sentindo, é verdade. Só então a pessoa está apta para tomar decisões de forma consciente”, conclui.

Gislene Goulart