Natural de Frederico Westphalen, Juliana Panosso, formada há um ano e meio em arquitetura e urbanismo pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ), deu um grande passo em busca da realização de seus sonhos, se tornando uma empreendedora ao abri o seu próprio escritório. A jovem que inicia seus primeiros passos na formação de sua trajetória profissional, dividi com as leitoras do Caderno Bella, os desafios enfrentados durante o processo de construção do seu próprio negócio e a importância da proatividade como um dos comportamentos para crescer na carreira.

O começo de tudo

Juju, como é conhecida pelos amigos, conta que sempre foi uma criança ativa, gostava de estar fora de casa, praticando atividades e brincando ao ar livre.

— Eu gostava de coisas práticas, não de computador ou videogame. Eu gostava de inventar alguma coisa.

Mesmo sem saber, ainda na infância já demonstrava um amor por aquilo que, no futuro, se tornaria a sua profissão.

— Acho que sempre quis ser arquiteta, eu só não sabia que se chamava arquitetura aquilo que eu gostava. A primeira casa que eu construí sozinha foi quando eu tinha 12 anos de idade. Fiz no pátio de casa, uma asinha na árvore. Peguei madeiras, preguei, fiz tudo sozinha! Quando minha família viu, eu já tinha feito uma casinha, até água encanada tinha, relembra.

Juju conta que, quando os pais decidiram reformar a casa e iniciar as obras ela se identificou com o meio e gostou da rotina de trabalho vivenciada. Por conta de estar muito envolvida em todo o processo, foi o momento em que ela teve certeza do que queria fazer. Mudou-se para Chapecó e iniciou a sua graduação, que durou 5 anos e meio.

Ainda durante a graduação, Juliana já se inseriu no mercado de trabalho realizando estágios e aprimorando seus conhecimentos em cursos. Em agosto de 2015, conclui seus estudos, se formou e voltou para Frederico, cidade em que sempre quis atuar. Até dezembro de 2016 trabalhou em um outro escritório como sócia, realizando projetos que lhe proporcionaram diferentes experiências.

— Até então eu nunca havia pensado na hipótese de abrir um escritório próprio. Foi depois de formada que esse desejo surgiu, quando eu comecei a me identificar mais com a área de design e interiores. Assim, resolvi começar uma especialização em interiores e cada vez mais tenho certeza que é isso o que eu quero.

Hoje, Juliana finaliza a sua especialização em Design & Interiores pela Universidade de Passo Fundo-UPF.

— Todo mundo sonha em ser reconhecido pelo seu trabalho. Eu sempre gostei de ir em feiras e ainda é um sonho poder expor nesses lugares. A ideia do escritório foi algo que aconteceu, eu comecei a sentir a necessidade de ser reconhecida pelo meu próprio trabalho e fazer o “meu nome”. A procura pelos meus trabalhos começou a aumentar, foi então que senti que poderia começar o meu próprio negócio.

Com o apoio da família e do namorado, ela decidiu largar o seu antigo emprego e abrir o seu escritório. Hoje mais tranquila, Juliana diz que o medo a acompanhou durante o processo, e que do dia em que saiu do seu antigo emprego, até a finalização do escritório, as noites de sono foram mais pesadas.

– Eu comecei a obra com muito medo. Às vezes pensava, e agora, o que eu vou fazer?! Eu sabia que ia ter que ter mais paciência, que iria começar do zero e as coisas iriam demorar um pouco. Em março eu finalizei as obras, mas ainda antes disso eu já realiza projetos de casa. Desde que abrimos já estamos com muitos trabalhos, cada dia aparece alguma coisa nova, foi um processo gradativo.

A nova etapa e os desafios

Agora dona de seu próprio negócio, Juliana conta que a realidade no mercado é diferente. As responsabilidades, assim como as tarefas aumentam.

— Por mais que no meu antigo emprego eu já administrasse algumas contas e pagamentos, ainda sim nós éramos em duas. A partir do momento que abri aqui eu tive que me virar. Me tornei administradora, empregada doméstica, arquiteta, tudo. E ainda estou aprendendo. Todo o mês temos contas a pagar e precisamos trabalhar para isso.

Segundo Juju, um dos maiores desafios no início de qualquer empreendimento são as questões financeiras. O medo de não conseguir colocar o negócio em pé e dar continuidade ao planejado, não ter clientes.

Ela conta que teve a ajuda dos pais e familiares em sua obra, porém, também se preparou para o projeto, juntando uma renda para a construção.Além disso, Juju relata que existe um certo preconceito quanto a contratação de profissionais recém formados, fato que por vezes se torna um empecilho.

— No meu ramo, a gente depende muito de alguém que te de aquela primeira oportunidade para ti mostrar o teu trabalho, e nem sempre isso acontece. Além disso, a área de arquitetura trabalha com um montante alto de dinheiro, projetos e obras custam cara, e por vezes as pessoas tem medo de investir.

Para os que pretendem sair da zona de conforto e abrir o seu próprio negócio, Juju aconselha:

— Tem que ter muita coragem! Tu não podes ter medo de ficar parado ou sem serviços. Você precisa se preparar bem e ir atrás, porque as coisas não irão cair do céu. É um processo bem lento, é devagarinho que você começa a aparecer, e que os clientes começam a te reconhecer. Nunca perca as oportunidades que aparecerem, agarre todas elas e saiba que sempre vai existir um novo desafio. Minha principal dica é: não tenha medo de correr atrás e resolver o problema, tenha o seu diferencial. O caminho do sucesso é lento e se constrói na rotina do dia a dia, mas quando se busca os resultados aparecem!

Para você, ser Bella é...?

Ser BELLA é ser você, de dentro para fora, é se permitir. Começar de onde está, usar o que você tiver, e fazer tudo que puder para tornar sua vida grati¬ficante. É agradecer todos os dias, por ser você!