Os conflitos envolvendo a demarcação das terras indígenas em Vicente Dutra já têm história e mereceriam estar em um livro dos casos que o governo não resolve. E a região Norte do Rio Grande do Sul é premiada com estes casos.

A Brigada Militar de Vicente Dutra solicitou à Fundação Nacional do Índio (Funai) e à Polícia Federal que auxiliassem no processo de resolução dos conflitos da semana passada, mas os órgãos não se deslocaram ao município. Assim, coube à comunidade assistir, sem ter o que fazer, aos indígenas reclamarem a posse dos oito hectares que integram o Balneário Águas do Prado e danificarem a maior parte do local.

Desde o início do conflito, uma pessoa ficou ferida, centenas de residências foram invadidas, depredadas e saqueadas, bem como o pórtico de entrada do Balneário, que foi destruído durante os conflitos. Agora cabe a pergunta: serão necessários mais problemas, conflitos e prejuízos para que as lideranças resolvam estes problemas?

A indefinição do desfecho do processo da demarcação das terras indígenas prejudica tanto a comunidade quanto os índios.

Segundo o vice-cacique, Luís Salvador, os índios permanecerão na área que já ocupam, até o fim do processo. “A terra está demarcada e nós cansamos de esperar pacificamente”, declarou.

Para tentar encontrar uma solução, hoje, 29, a partir das 9 horas, no Salão Paroquial de Vicente Dutra, ocorre Audiência Pública convocada pelo deputado federal, Vilson Covatti (PP), para debater a questão indígena.

De acordo com o parlamentar, após a audiência será formalizado um documento e encaminhado ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso. Conforme Covatti, “a morosidade da Justiça e do governo precisa ser responsabilizada. É justamente a omissão desses órgãos que está causando os conflitos em todo o país. Os índios de Vicente Dutra também precisam ser responsabilizados na forma da lei pela invasão, brutalidade e vandalismo protagonizados no empreendimento Águas do Prado. As atitudes ultrapassaram todos os limites da lei e do respeito”, pontuou.

Não se pode admitir que a Justiça permita que as ações dos indígenas mal-intencionados passem em branco. É necessário que seja feita justiça e que os proprietários das residências no Balneário Águas do Prado possam recuperar seus bens ou serem recompensados pelo governo.

Esperamos que ao final do debate de hoje, as lideranças, autoridades, os indígenas e a comunidade de Vicente Dutra encontrem uma alternativa pacífica e aguardem o fim do processo em paz.