Chegamos a 2018 e um dos assuntos que seguem em pauta é algo que todos amam, a preservação do meio ambiente. Quando começamos a estudar sobre o tema de hoje, pensamos: é possível mesmo uma construção sustentável?

Desde a Antiguidade, os povos do Mediterrâneo usavam a cortiça em objetos do cotidiano, no calçado e em embarcações. 

Desconhecida para muitos, a cortiça configura-se como um modelo da indústria sustentável e um material de construção eficiente. Por sua própria natureza, a cortiça é reciclável e renovável, pois é a única árvore que regenera sua casca, enquanto a colheita da casca faz com que a árvore não seja prejudicada.

Em Portugal, ao longo da história, a cortiça tem sido usada como isolante térmico na construção de edifícios. Um exemplo é o Convento dos Capuchos em Sintra, datado de 1560, em que a cortiça foi usada como isolamento térmico dos tetos. Atualmente tem-se registado uma crescente utilização da cortiça na arquitetura, tanto no exterior, enquanto elemento concretizador do conceito estético ligado à construção, como no interior, como isolamento térmico, acústico e antivibrático ou como revestimento de paredes e pavimentos. Cada vez mais empreendimentos nacionais e internacionais estão a recorrer à cortiça portuguesa como material de construção. A cortiça é extremamente impermeável (por que mais confiaríamos nela como uma rolha para preciosos vinhos?), resistente à abrasão e atua como retardadora de fogo e isolante acústico. Possui também qualidades estéticas desejáveis, dando aos edifícios tons de terra tingidos e padrões naturais. Quando usada internamente, no caso da Clínica do Coração por Dost, a cortiça regula a umidade, absorve odores e proporciona reverberação sonora confortável, perfeita para um ambiente clínico que beneficia esteticamente de uma atmosfera orgânica e calorosa. Como revestimento, a cortiça impermeável protege o edifício contra os elementos para um material significativamente negativo em carbono.

Heloise Santi - geral@folhadonoroeste.com.br