A região de abrangência do jornal Folha do Noroeste perdeu quase cinco mil habitantes na estimativa populacional divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas últimas semanas, relativo aos dados de 2021, comparando com o número de moradores do último censo realizado, no ano de 2010.

Entre a última edição do censo até a estimativa populacional para 2021 calculada pelo IBGE, são 4.869 pessoas a menos residindo nas 21 cidades da abrangência do FN. Destas cidades, em apenas oito houve aumento populacional na estimativa do IBGE, sendo que somente Frederico Westphalen, Palmitinho, Pinheirinho do Vale, Taquaruçu do Sul e Rodeio Bonito registraram elevação de moradores acima de 100 pessoas na projeção populacional do instituto. No caso frederiquense, entre 2010 e a estimativa para este ano, há 2.832 pessoas a mais na cidade. Em Palmitinho, são 136 habitantes a mais no mesmo recorte. Pinheirinho do Vale elevou 429 sua população, Taquaruçu do Sul 115 e Rodeio Bonito 125.

Conforme o coordenador de área do IBGE de Frederico Westphalen, Cleovane Selbach, a definição da estimativa de populações em anos em que não há censo, tem como base uma fórmula construída para essa possibilidade. “Esse método matemático leva em consideração a população de uma área menor, que no nosso caso são os municípios, dentro da população de uma área maior, que são as unidades da federação (Estados). Esse cálculo ainda possui coeficientes, em que leva-se em consideração a população dos últimos dois censos dos municípios e Estados, além da população projetada para cada Estado em cada ano. Com isso, toma-se como base a projeção de população para o Estado do Rio Grande do Sul em 2021 e utilizando os coeficientes dos censos de 2010 e 2000 dos municípios, aplica-se a fórmula e obtêm-se a estimativa de população de cada município para o ano de 2021”, explica Selbach.

Estimativas podem não refletir a população real

No entanto, por justamente se tratar de uma fórmula matemática e não um levantamento real da população, a estimativa populacional – como o próprio nome já diz – é uma estimativa, portanto, pode não refletir integralmente a realidade de habitantes de um determinado município.

Apesar dessa eventual imprecisão, as estimativas populacionais anuais estão previstas em legislação e são tomadas como base para uma série de decisões. “As estimativas, além de atender uma determinação legal para o cálculo do rateio do FPM (Fundo de Participação dos Municípios, a principal fonte de receita da maioria das pequenas cidades), buscam retratar a realidade e subsidiar uma série de decisões. Mas, como é um cálculo matemático e que utiliza dados dos dois últimos censos, à medida que o tempo vai passando e os anos vão ficando mais distantes dos últimos censos realizados, eles vão perdendo a precisão”, detalha o representante do IBGE em Frederico Westphalen.

O coordenador de área do instituto em FW ainda complementa ressaltando a importância da realização de censos populacionais. “A estimativa populacional traz apenas o total da população para determinada área e ela só consegue chegar ao nível de município. Já o censo ele retrata a realidade de uma forma muito mais abrangente e precisa, porque como esse método busca a informação em todos os domicílios e uma série de informações, ele possibilita trazer um retrato bem maior e melhor da realidade, com informações mais detalhadas da população e da forma de vida dessa população, bem como para áreas geográficas menores”, destaca Selbach.

Redução ou aumento populacional seguem tendência

Conforme explica Cleovane Selbach, a redução de população na maioria das cidades da região, deve-se a uma tendência de queda de moradores registrada conforme os dois últimos censos realizados no país.

– O aumento ou redução no quantitativo de população nos municípios é baseado no coeficiente de cada cidade dos últimos dois censos, junto a estimativa populacional do Estado. Como esse coeficiente não se altera no decorrer do tempo, isso faz com que o município tenha uma tendência de aumento ou de redução da população durante todos os anos em que é aplicada a estimativa. Pode haver alterações dessa tendência quando há uma revisão da projeção da população estadual, como aconteceu no ano de 2013 e no ano de 2018, quando alguns municípios tiveram acréscimo ou decréscimo maior de habitantes, diferente daquela tendência em que estavam antes – finaliza Selbach.