O nome do governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite está ganhando força nos últimos dias como o favorito nas prévias do PSDB para a disputa da presidência da República em 2022. Seu oponente, João Dória, governador de São Paulo, começa a perder força política com os apoios de nomes históricos do partido a Leite. Na terça, 28 de setembro, o senador cearense Tasso Jereissati desistiu de concorrer e manifestou apoio ao governador gaúcho. Além de Jereissati, o ex-presidente e fundador do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, anunciou na quarta-feira, 29, que apoiará Leite nestas prévias, mesmo após um desentendimento público entre os dois. Leite também tem recebido respaldos em colégios eleitorais importantes dos tucanos como Paraná, Bahia, Goiás, Amapá, entre outros. Um velho conhecido e conterrâneo de Pelotas, o deputado federal Daniel Trzeciak está confiante de que Eduardo Leite será escolhido nas prévias do partido que serão realizadas em 21 de novembro, em Brasília. Durante entrevista aos veículos de comunicação do Complexo Luz e Alegria, Trzeciak avalia que o nome de Leite é o mais forte dentro e fora do partido para ser a chamada “terceira via”, por seu tom de diálogo e com ideias novas, que se enquadram na nova diretriz tucana para a corrida presidencial do próximo ano.

FOLHA: Este é o teu primeiro mandato como deputado federal e conquistaste uma votação expressiva, mas você já teve a experiência política atuando em Pelotas. Como tem sido este período na Câmara Federal?

Daniel Trzeciak: Trabalhei muitos anos na comunicação. Fui repórter e apresentador de telejornal, em Pelotas, e resolvi dar minha contribuição na política.  Eu tenho dito para amigos, as pessoas da sociedade, para colegas da comunicação, que todos nós temos que dar nossa contribuição para ver um Brasil diferente, um Rio Grande do Sul diferente. Eu resolvi estar no outro lado do balcão, por isso, fui candidato a vereador em Pelotas e conquistei, em 2018, 75 mil votos que me colocaram na Câmara Federal. É muito importante que a gente faça política fazendo aquilo que a gente acredita. Isso é uma convicção importante que a gente não se deixe levar por pressão ou por comentários ou manifestações nas redes sociais. Fui eleito com a missão de combater os privilégios e abri mão disso para aplicar reformas importantes e estruturantes do Estado e do país. Como deputado federal, eu tenho defendido tudo isso, pois a política pode ser feita de maneira diferente para fazer a diferença na vida das pessoas, por mais que a gente não consiga resolver todos os problemas da população. Seguiremos tendo problemas em várias áreas, mas precisamos despertar nas pessoas a esperança de que naquele candidato a vereador, no deputado, governador ou presidente da República. Não existe salvador da pátria. Não existe político que vai resolver todos os nossos problemas. Eu estou disposto a ajudar a promover essa mudança e faço isso desde 2016, quando ingressei na vida política como vereador, em Pelotas, e em 2018 quando fui eleito deputado. A gente precisa é acabar com os maus políticos porque eles são exemplos que não nos motivam. Eu faço política para mudar a vida das pessoas e não faço da política uma profissão. Sou jornalista e bacharel em Direito. A política deve estar nas melhores páginas dos jornais e não na editoria policial.

FOLHA: Uma das suas bandeiras tem sido o combate aos privilégios, fim da aposentadoria para deputados. Nos fale mais sobre isso.

Daniel Trzeciak: Nós precisamos viver em um Brasil mais igual. Hoje nós vivemos em um país com tanta desigualdade e com inversão de valores. Quem precisa de auxilio mudança, não é deputado federal. Quem precisa de auxílio moradia não é promotor de Justiça. Quem precisa de auxilio creche, não é filho de juiz. Quem precisa de auxílio, não é quem tem um alto salário. Nós precisamos acabar com essas desigualdades. Não é só no discurso na tribuna ou nas redes sociais. Tem que fazer isso na prática e é isso que me propus a fazer. Quando fui vereador, criei o Gabinete Custo Zero, eliminando qualquer verba de gabinete com dinheiro público. Hoje, como deputado federal, eu abri mão do meu auxílio mudança e doei para o Pronto Socorro de Pelotas, criei o projeto Milhas do Bem, no qual doei as minhas milhas áreas das minhas viagens a Brasília, doei às instituições beneficentes do Estado do Rio Grande do Sul e recusei a aposentadoria como deputado federal. Alguém pode me perguntar, mas isso não resolve os problemas. É verdade, não resolve. Eu não vou conseguir resolver os problemas tendo aberto mão da aposentadoria especial, auxílios, entre outros, porém, esses exemplos motivam as pessoas para que elas possam praticar estes bons atos no seu cotidiano e que possam fazer a política participando da política. Mais do que isso, os bons exemplos precisam contaminar e que as pessoas sejam ‘contaminadas’ pelo diálogo, as boas práticas, planejamento, ideias e convicções.

FOLHA: Vamos falar um pouco mais sobre a pré-candidatura à presidência do teu conterrâneo Eduardo Leite. Qual é a sua opinião?

Daniel Trzeciak: O PSDB tem um projeto social de transformar o país e não falando só da questão social e fiscal, mas de encontrar o equilíbrio que todos nós precisamos.  Eu não tenho dúvida alguma de que o Eduardo Leite é o melhor nome para representar esse projeto. Leite mostrou no Rio Grande do Sul que é possível colocar os salários do funcionalismo em dia, depois de 55 meses recebendo atrasado. É possível fazer gestão eficiente e responsável, fazer privatizações, enxugar a máquina pública e ter mais eficiência no serviço público. É isso que a população espera. A gente discute sempre o tamanho do Estado porque a população paga impostos e a gente quer ver o serviço público com qualidade. O Eduardo foi um excelente prefeito de Pelotas, é também do meu partido e da minha cidade natal. Eu estou em campanha aberta para que ele seja o nome do PSDB a candidato a presidente da República nas prévias do PSDB, que acontecem dia 21 de novembro, em Brasília, onde todos filiados irão se reunir nesta grande convenção. O partido possui mais de 1,3 milhão de filiados que vão às urnas escolher de forma democrática o nosso candidato. Não se faz política com raiva, batendo na mesa, com preconceito. De um lado, nós temos um ex-presidente que foi preso no maior esquema de corrupção da história do Brasil. Do outro, alguém que governa com raiva. E é por isso que eu acredito que o Eduardo é nosso representante para um país e não brigue, fazendo a política do diálogo, encontrando as melhores soluções para o Brasil.