Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para cada dois anos em mulheres acima de 50 anos, a mamografia é considerada um dos melhores métodos de prevenção da doença de acordo com pesquisa divulgada pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC). Conduzida por especialistas de 16 países, a pesquisa avaliou os efeitos positivos e negativos dos diferentes métodos de triagem para o câncer de mama, com base na análise de resultados de 11 testes clínicos controlados e de 40 estudos observacionais. De acordo com o médico especialista em diagnóstico por imagem e sócio-proprietário da Clínica V. Mat, Vinicius Mauro, a mamografia é o único exame utilizado para a prevenção do câncer de mama, sendo que a ultrassom e a ressonância normalmente são solicitados após um diagnóstico do médico. “É fato que a mamografia reduz a mortalidade, porque ela detecta o câncer em uma fase muito precoce, que oferece uma vasta possibilidade de tratamento e recuperação, o que não acontece com o autoexame que normalmente só detecta casos de nódulos superficiais ou de grandes proporções”. Quem pode fazer o exame pelo SUS As portarias (1.253/13 e 126/14) regulamentam a Lei 11.664/08, assinada em 2008 que determina, entre outras medidas, a realização de mamografia para todas as mulheres a partir dos 40 anos pelo SUS. Nessas portarias, ficou acordado que a mamografia de rastreamento – aquela realizada em mulheres que não apresentam sintomas da doença – seja feita prioritariamente em mulheres entre 50 e 69 anos. Mulheres em outras faixas etárias têm garantido o direito de realizar a mamografia de diagnóstico, ou seja, aquela indicada a pacientes com alto risco para câncer de mama ou que apresentam sintomas. A realização da mamografia de rastreamento para estas mulheres fica condicionada à disponibilidade de recursos municipais. Porque a mamografia é indicada a partir dos 50 anos? O especialista em diagnóstico por imagem, Vinicius Mauro explica que quando a mulher é jovem a mama é constituída prioritariamente de parênquima (conjunto de células responsáveis pela função de um determinado órgão) e pouca gordura e com o passar dos anos essa configuração se altera, ficando mais gordura e menos parênquima. “Tanto na mamografia quanto na ultrassom o parênquima é banco e a gordura escura. Mas o nódulo é branco na mamografia e preto na ultrassom. Então a mamografia é mais indicada para mulheres de mais idade e a ultrassom para mulheres mais jovens”, disse o médico. Fatores considerados de risco Qualquer coisa que aumente a chance de alguém ter uma doença específica (câncer de mama, por exemplo) é denominada de fator de risco. Ter um fator de risco não significa que a pessoa irá desenvolver a doença, assim como, não ter nenhum fator de risco não confere proteção absoluta. Para o médico, os fatores que devem ser observados de forma mais atenta são: casos da doença na família, principalmente mãe e irmãs e o estilo de vida atual das mulheres. “Sabe-se que os hormônios femininos não têm uma relação estreita com o câncer de mama, e o estilo de vida das mulheres hoje em dia, propicia o desenvolvimento da doença. Elas têm cada vez menos filhos e muito mais tarde, o que as deixa por um período muito maior expostas aos hormônios”, observou. Outros fatores indicados como de risco para as mulheres são, o tabagismo, alcoolismo e obesidade.

Heloise Santi saude@folhadonoroeste.com.br