Uma preocupação tem sido constante no dia a dia de pacientes gaúchos que sofrem de diabetes mellitus tipo 1, de caráter hereditário. A doença impede a produção de insulina pelo corpo ou o organismo não produz em quantidade suficiente, obrigando a pessoa a fazer aplicações diárias de medicação. Fornecida gratuitamente pelo Estado, a distribuição tem sofrido atraso ou mesmo interrupções. Desde janeiro, o problema tem se repetido.

A insulina glargina ou lantus, de longa duração, é capaz de manter a glicemia em valores adequados por muito mais tempo do que uma insulina normal. Com aplicação subcutânea tem uma duração total de 20h a 26h, evitando episódios de hipoglicemia (nível alto de açúcar no sangue). Para ter acesso à insulina de forma gratuita, o paciente precisa encaminhar um processo administrativo, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, com provas médicas desta necessidade, e também existem ações judiciais que obrigam o Estado a cumprir a determinação. Porém, hoje, em qualquer um dos casos, há falta de medicamento.

O problema atinge várias cidades gaúchas. Em Frederico Westphalen, um paciente de 40 anos que usa insulina desde os sete anos está há mais de 30 dias sem a medicação. Ele precisa realizar a aplicação uma vez ao dia. Em virtude da falta da insulina glargina está usando outro tipo de medicação, que não é a indicada para o seu problema. Dependente do medicamento, o paciente não pode deixar de fazer as aplicações porque o pâncreas não produz a insulina, que é um hormônio vital para o organismo. Caso não fizer, pode entrar em uma situação chamada de coma diabético e até vir a óbito.

O que diz o Estado

Distribuída pelas farmácias das Secretarias de Saúde dos municípios, a insulina é comprada pelo governo do Estado. Segundo a 19ª Coordenadoria Regional de Saúde (19ª CRS), que representa a Secretaria Estadual de Saúde na região, a medicação está em falta desde junho, em virtude de questões que envolvem o processo de licitação para aquisição. “Por isso está sendo realizado um levantamento em todas as regionais para verificar a possibilidade de remanejamento de doses onde possa estar ocorrendo sobras, até que o fornecimento seja regularizado”, explica o coordenador, Fernando Panosso.

Para os 26 municípios de sua abrangência, a 19ª CRS faz a distribuição de 484 doses mensais da insulina glargina. Através de e-mail, a Secretaria Estadual de Saúde admitiu a falta da medicação, informando que está em fase de compra, devendo chegar nas próximas semanas. Com apresentação em canetas de 3 ml, o valor nas farmácias comerciais em média é de R$ 100.