Familiares da manicure Dirlei Cavalheiro, 36 anos, pedem justiça por sua morte. O homem acusado de assassiná-la com 14 facadas vai a júri popular na terça-feira, 11 de junho, a partir das 9h30, no Fórum da Comarca de Frederico Westphalen. Inicialmente, a sessão estava marcada para 14 de maio, mas foi transferida.

Na cadeia desde 3 de junho de 2017, Luiz Carlos Godoy Inglez responde a processo na Justiça, conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público, por ocultação de cadáver e homicídio qualificado por motivo torpe, pelo sentimento de posse em relação à manicure, com quem disse manter um relacionamento extraconjugal; feminicídio, por razões do sexo feminino, levando em conta o menosprezo e a discriminação à condição de mulher, envolvendo violência doméstica e familiar; meio cruel, demonstrado pela quantidade de facadas; e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, atacada de maneira inesperada. Se reconhecidos pelos jurados – que são sete pessoas da comunidade previamente sorteadas, responsáveis por julgar os crimes contra a vida –, esses fatores, chamados de qualificadoras, aumentam a pena em caso de condenação. Atuará como assistente de acusação, o advogado Demetryus Grapiglia. Já a defesa do réu está a cargo da Defensoria Pública Estadual.

Moradores do bairro Santo Antônio, o agricultor Rosalino Cavalheiro, 65 anos, e a dona de casa Ivone Fátima Cavalheiro, 57 anos, contam que foram pegos de surpresa quando notaram que o relógio marcava 18h e a filha não apareceu, tampouco buscou a neta do casal na escola. Era 29 de maio de 2017. O cadáver foi localizado três dias depois de registrarem seu sumiço na polícia. “Dia das Mães é uma data muito triste para a gente. A memória que temos dela é entrando aqui em casa, sorrindo, acompanhada da caçula, agora com 9 anos, e do filho mais velho, de 19 anos, que inclusive já havia perdido o pai em um incêndio. Nós não sabíamos de nada, é uma dor que nunca vai passar”, desabafou a mãe da vítima.

Para terça-feira, amigos, parentes e conhecidos planejam homenageá-la em frente ao fórum. “Quero que ele nunca mais faça com ninguém o que fez conosco. Se fosse amor, não teria matado ela e feito o que fez”, completou Ivone.

Relembre

O crime ocorreu no dia 29 de maio de 2017, no apartamento do réu, no Centro de Frederico Westphalen. Quando preso pela Polícia Civil, confessou autoria, alegando que foi motivado por ciúmes da vítima, com quem disse manter um relacionamento extraconjugal, já que era casada. Na época, seu companheiro estava em outra cidade. Em juízo, afirmou que agiu em legítima defesa e que ela teria avançado sobre ele durante um desentendimento. Colocou o corpo em uma caixa de papelão, tapou a cabeça com um saco plástico, o levou a seu carro, um Ford/Ka preto, e o transportou até as proximidades da ponte sobre o rio da Várzea, onde atravessou a BR-386 carregando a pé o cadáver e o deixou em um matagal às margens da rodovia. Citou que inicialmente teria saído com a intenção de cometer suicídio durante a viagem, mas mudou de ideia. Jogou a faca usada e os pertences pessoais da vítima nas águas, e no dia seguinte, levou o carro para lavar em Seberi.

Indígenas encontraram o cadáver em um matagal próximo à ponte sobre o rio da Várzea, ainda no município, na tarde de 2 de junho, três dias após a família registrar o desaparecimento. No laudo, o perito que analisou o cadáver assinalou a crueldade com que a mulher foi morta, com 14 facadas desferidas pelas costas, atingindo-a principalmente na região cervical e na nuca, além de não apresentar qualquer sinal típico de defesa.

Perito assinalou crueldade com que a vítima foi morta, com 14 facadas.