O verão é a temporada em que as frutas ganham maior evidência. Dentre elas, pode-se destacar em nossa região, o cultivo do figo. O município que se destaca em relação à cultura é Planalto, com 135 hectares, e envolvimento de 82 agricultores.  Alpestre e Frederico Westphalen também registram pomares de figo, mas não com foco comercial.

De acordo com o técnico Doraci Bedin, extensionista rural da Emater/RS-Ascar de Planalto, o figo é uma planta Caducifolia, isto é, que perde as folhas no inverno e cuja colheita se inicia normalmente dois anos após o plantio, aumentando a produtividade até atingir 4 a 5 anos. O plantio no inverno, entre os meses de julho e agosto, é feito com mudas produzidas no ano anterior.

A época normal de colheita do figo verde para conservas inicia no final de dezembro se estendendo até abril. Neste ano, com as temperaturas mais altas durante a primavera, a colheita foi antecipada em um mês. “O figo maduro não é uma atividade muito explorada, apesar do potencial, devido à fragilidade do fruto e a distância dos centros de consumo”, explica Bedin.

Produção

A produção normal de figo verde em Planalto é de 4 a 6 mil quilos por hectare. De acordo com Bedin, esses números podem variar. Nesta safra, o valor tem ficado em torno de R$ 3 a 5 o quilo do figo maduro e em R$ 2,60, o quilo do figo verde. A renda, por hectare, deve girar em torno de R$ 15 mil. “A estimativa para 2021 é de boa produção e preço, apesar da geada e da estiagem que ocorreram em nossa região”, acrescenta Bedin.

Comercialização

A comercialização das frutas é realizada por atacadistas que destinam a produção para as indústrias de conservas, em Pelotas e no Ceasa/POA, além disso, há agricultores que vendem o fruto in natura para consumo, bem como para fazer doce (chimier).

O produtor Enio Luis Refosco, da linha 7 de Setembro, em Planalto, se dedica à cultura do figo há 14 anos. Atualmente, ele e a esposa Sirlei Rubert, cuidam de 4 hectares do figo Roxo de Valinhos. A fruta é a principal renda da família. “Há muita dificuldade de mão de obra para o figo, mas para mim, é uma atividade viável”, conta.

O agricultor vende o figo maduro, direto ao consumidor, para supermercados do município e região e também para agroindústrias. No ano passado colheu 16 toneladas da fruta. Porém, a safra atual foi prejudicada em virtude da estiagem registrada no RS. “Se continuar chovendo regularmente, daqui uns 60 dias, teremos uma boa colheita. Para o figo maduro, não é interessante muita chuva, mas também não pode ocorrer uma estiagem prolongada”, explica.

Cuidados

O técnico Doraci Bedin salienta que são necessários alguns cuidados com a planta, que tem como condições favoráveis o clima quente com chuva, como a poda de formação da planta e de produção do figo, sendo esta essencial para uma boa produtividade. Já a aplicação de agroquímicos para o controle da ferrugem do figo (doença) pode provocar alergia na colheita, devido à resina que o fruto libera.

– A produção em si é rentável e bem adaptada às condições climáticas do município. O que fica a desejar em termos de dinamismo que a atividade pode oferecer é a ampliação da industrialização com potencial de gerar emprego, maior circulação de receita e impostos. Desta forma deixaríamos de ser apenas produtores de matéria-prima para outras regiões. Por outro lado é possível melhorar a produtividade das lavouras com melhoria no manejo da cultura, especialmente, relacionado à cobertura de solo de inverno. A incorporação dos princípios do plantio direto como manutenção de palhada o ano inteiro no pomar ainda não é uma ideia aceita de forma generalizada – conclui Doraci Bedin.