No dia 30 de janeiro deste ano, um caso de estupro de vulnerável a uma menina de 12 anos, em Tenente Portela, chamou a atenção da comunidade regional. 

Depois de se encontrarem em uma praça de Tenente Portela, o suspeito convidou a vítima para darem uma volta de motocicleta e violentou a adolescente em uma lavoura, na saída para Vista Gaúcha.

Desde então, Sérgio Gilmar da Fonseca, de 29 anos, é procurado pela polícia. Morador da linha Bela Vista, em Miraguaí, o homem conversava com a vítima por meio do Facebook, rede social pela qual marcaram de se ver na tarde em que ocorreu o crime. Mesmo que o ato tivesse consentimento da garota, o caso ainda se trataria de estupro de vulnerável, pois a vítima é menor de 14 anos. A pena varia de oito a 15 anos de reclusão.

Em Frederico Westphalen, a reportagem do jornal Folha tomou conhecimento de que foram registrados dois casos em que os atos também foram consumados após contatos mantidos pela Internet.

A fim de auxiliar pais e responsáveis para que menores não sejam vítimas de abuso em que o caminho tenha sido a web, o delegado de polícia e especialista em investigação de crimes cibernéticos, Emerson Wendt, esclarece o assunto em entrevista ao Folha.

 

Como os pais podem controlar ou orientar os filhos a se comportarem na internet?

Emerson Wendt - Tudo começa com uma boa conversa e acompanhamento da vida digital dos filhos. Menores de 13 anos, em regra (pelas políticas de privacidade e termos de uso das redes sociais), nem poderiam ter perfis nas redes sociais. Bom, creio que o Brasil sempre é uma exceção e há uma permissividade para isso. No entanto, temos de ter um cuidado especial, pois além de uma conversa, o ideal é acompanhar a configuração do perfil e ter conhecimento da senha (pelo menos até os 12 anos). A configuração de privacidade (não aceitação de marcação automática, restrição do perfil aos amigos, não aceitação de convites de desconhecidos etc.) é fundamental. Existem tutoriais na Internet que auxiliam nisso. Os pais sempre devem deixar claro que a qualquer problema os filhos possam acioná-los para resolver "os problemas digitais". Importante deixar claro à criança para não mencionar o colégio e os locais por onde sempre anda. Aliás, o colégio deveria ter cuidado também em não expor seus alunos através de marcações feitas por professores/funcionários.

 

É possível traçar um perfil dos abusadores?

Wendt - Não necessariamente, mas no caso de aliciadores de menores na web a regra é que eles façam a aproximação com um perfil com características próximas da idade das possíveis vítimas. Então, se o abusador tem preferência por crianças de 7 a 10 anos, o perfil dele é feito com base nos gostos e estilos dessas idades. Por isso, é fundamental que haja cuidado na aceitação de amizades. Idades mais tenras, o ideal é que os pais acompanhem essas aceitações de amizades. Revisar as amizades já aceitas também ajuda.

 

Que tipo de procedimento os responsáveis devem adotar ao suspeitarem que os menores estejam sendo vítimas de abuso ou exploração sexual por meio da Internet?

Wendt - O fundamental e inicial é a guarda das provas, não só dos perfis, mas também das conversas, seja nas redes sociais, seja através de telefones. Imprimir e levar tudo a uma Delegacia de Polícia para registro. Caso ainda não tenham sido vítimas, os dados do perfil, encaminhados anonimamente à Polícia Civil do RS (através do site www.pc.rs.gov.br) podem ajudar a iniciar uma investigação.

 

E quando o ato sexual é consumado?

Wendt - Aí teremos um crime bem mais grave, que possibilita ao delegado de polícia solicitar a prisão preventiva do suspeito ou, dependendo do caso, realizar a prisão em flagrante do acusado.

Cristiane Luza - policia@folhadonoroeste.com.br