Conhecida por suas conquistas em olimpíadas científicas, a estudante frederiquense Mariana Bigolin Groff, 15 anos, acaba de conseguir um título inédito para o RS e também para o sexo feminino. A adolescente ganhou a Medalha de Ouro no Nível 2 da Olimpíada de Matemática de Maio de 2016, o que a qualifica como a primeira menina nesse nível da competição a ocupar o primeiro lugar desde 1997.

A olimpíada é disputada por estudantes da América Latina, Espanha e Portugal, em dois níveis: o 1, para alunos até 13 anos; e o 2, para os de até 15 anos. No Brasil, participam alunos premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) com medalhas de ouro, prata, bronze e menções honrosas, ou que tenham sido selecionados pelo coordenador regional.

Mariana considera que a questão do gênero impacta não somente em olimpíadas científicas, mas em todas as áreas competitivas, do mercado à vida acadêmica. ´´Desde pequenas, as meninas são influenciadas pelo seu meio a deixar atividades que exijam maior esforço mental para os meninos. Com isso, elas são desencorajadas a participar de olimpíadas científicas, por ser considerada uma atividade masculina e de ´nerds`, diminuindo assim a participação feminina nestas competições``, explica.

A mãe, Nara Martini Bigolin, é professora em Ciência da Computação, uma área predominantemente ocupada por profissionais homens. Desde cedo, Nara tem apoiado Mariana a também mostrar que o sexo feminino deve exercer funções culturalmente atribuídas ao sexo masculino. O resultado de sua dedicação foi a criação do Projeto Meninas Olímpicas, o qual visa ao empoderamento de meninas para que sejam empreendedoras, participando de olimpíadas científicas. No momento, elas organizam com a Procuradoria Especial da Mulher, da Assembleia Legislativa, um seminário de desigualdade de gênero em olimpíadas científicas, previsto para outubro.

Sob a coordenação de Nara, o projeto tem como cofundadoras três vencedoras do ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) 2015, Mariana, Natalia e Marceli.

Cristiane Luza