As Meninas Olímpicas têm elevado o nome de Frederico Westphalen em nível internacional no que diz respeito à representatividade feminina em espaços até então predominantemente masculinos, como o das competições científicas. Entre as mudanças de realidade que elas têm promovido, um feito importante é que há três anos consecutivos, o município possui 100% das medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira das Escolas Públicas (Obmep). "O principal ganho é mostrar que a presença da mulher em áreas estratégicas precisa ser incentivada e que no Brasil, a mulher só ocupa 10% desses espaços porque o sistema determina, e isso a gente quer mudar", destacou a coordenadora do projeto Meninas Olímpicas, a professora universitária Nara Bigolin.

Neste ano, há quatro vencedoras dos primeiros lugares na Obmep que são de FW: Mariana Bigolin Groff (pela quinta vez), sua irmã, Natalia Bigolin (tricampeã), e Marcéli Melchiors e Giovanna Ballen (bicampeãs). Já as estudantes Ana Júlia Nedel e Geisy Poncio conquistaram medalhas de prata, e Eduarda Caroline Razia, medalha de bronze.

Trabalho inspirador

O projeto Meninas Olímpicas visa ao empoderamento de meninas para que elas sejam protagonistas através de sua participação em olimpíadas científicas. Foi fundado em julho de 2016, em Frederico Westphalen, pela professora Nara Bigolin, que é mãe de duas medalhistas, Mariana, 16 anos, e Natalia, 13 anos. Nara se deu conta de que havia poucas meninas em olimpíadas científicas quando a mais velha foi participar de uma competição e não tinha companhias do mesmo sexo para dividir o quarto de hotel. "Desde pequenas, as meninas são influenciadas pelo seu meio a deixar atividades que exijam maior esforço mental para os meninos. Com isso, elas são desencorajadas a participar de olimpíadas científicas, por ser considerada uma atividade masculina e de 'nerds', diminuindo assim a participação feminina nestas competições", expôs Mariana, pioneira entre as medalhistas. Em setembro do ano passado, a adolescente conquistou o título de primeira menina na história da Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a compor a equipe que representa o Brasil na competição, de nível internacional.

Mudança de realidade ganha reconhecimentos

Tanto empenho mudou realidades, ganhou reconhecimento e inspira atitudes. Há dois anos, a Assembleia Legislativa, por meio da Procuradoria Especial da Mulher, oferece o Prêmio Meninas Olímpicas. Além disso, realizada em 2017 no Brasil, a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, em inglês) neste ano estreou uma premiação especial para mulheres inspirada no projeto, o Troféu Impa Meninas Olímpicas. A condecoração passou a fazer parte do calendário permanente do evento.

Já em nível local, a Câmara de Vereadores promove na próxima terça-feira, 28 de novembro, às 20h, uma Moção de Aplauso em homenagem às medalhistas e também a fim de incentivar outras estudantes.

Cristiane Luza - cristiane.luza@folhadonoroeste.com.br