A hipertensão arterial, popularmente chamada de pressão alta, é um inimigo silencioso e traiçoeiro. Ao contrário do que frequentemente se pensa, não apresenta sintomas que alertem as pessoas para algo de errado. A pressão arterial é influenciada por diversos fatores, tais como atividade física, tabagismo, álcool e também pelas emoções.

Cientes dessa variabilidade, desde 2017, a Associação Americana de Cardiologia, bem como a Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomendam que o diagnóstico de hipertensão e a decisão sobre início de tratamento medicamentoso sejam baseados em medidas de pressão arterial obtidas fora do consultório, utilizando a M.A.P.A. (Monitorização Ambulatorial de Pressão Arterial) de 24h.

A pressão arterial aferida pelo médico no consultório e, sobretudo, em um pronto-socorro, está sujeita a todas essas interferências. Portanto, a orientação atual é que qualquer pessoa com níveis pressóricos limítrofes deve ser submetida à M.A.P.A. antes de iniciado o tratamento medicamentoso.

Para demonstrar o quanto esse assunto é delicado e cheio de tabus, ilustro aqui o caso real de uma paciente do consultório. Trata-se de uma senhora de 68 anos que acordava subitamente no meio da madrugada com intenso mal-estar. Eram crises repentinas de tremedeiras, coração pulando, sensação de susto e de que havia levado um choque. A repetição diária dessas crises lhe fazia aferir a pressão arterial seguidamente.

Concluiu que estava tendo “picos hipertensivos”. Esse é o resultado do exame da paciente, realizado em meio à pandemia de coronavírus. Mesmo não referindo qualquer sintoma ou desconforto, o estado de humor ansioso, em decorrência das preocupações excessivas e da insegurança com o momento atual que estamos vivendo, teve essa consequência:

Sobre o profissional

Dr. André Andrighetto é Médico do Coração, graduado em Medicina pela Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (FFFCMPA); fez residência em Clínica Médica, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA-UFRGS) e residência em Cardiologia, no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (IC-FUC). Tem título de Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2003 e é pós-graduado em Psiquiatria, pelo Centro Brasileiro de Pós-graduações (CENBRAP) e Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE).